
- Brasil deve ter o maior imposto sobre consumo do mundo em 2026, com IVA acima de 28%
- Exceções e concessões na reforma elevaram a alíquota, afastando a neutralidade prometida
- Consumidores e economia tendem a sentir o impacto, com preços mais altos e consumo pressionado
O Brasil caminha para ter o maior imposto sobre consumo do planeta em 2026, superando países como Hungria e Finlândia, segundo projeções ligadas à implementação da reforma tributária do Governo Lula. A alíquota estimada do novo IVA pode ultrapassar 28%, colocando o país no topo do ranking mundial.
A mudança ocorre com a promessa de simplificação do sistema, porém o impacto direto no bolso do consumidor já preocupa economistas e o setor produtivo. A avaliação predominante é que o peso dos impostos vai aumentar, mesmo com a unificação de tributos.
Como o Brasil chegou ao topo do ranking mundial em impostos
A principal explicação está no desenho final do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que substitui tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins. Embora a proposta inicial buscasse neutralidade, as concessões feitas durante a tramitação elevaram a alíquota final.
Além disso, regimes diferenciados, exceções setoriais e benefícios específicos acabaram pressionando a alíquota padrão. Como resultado, o IVA brasileiro tende a ficar acima de economias desenvolvidas, mesmo sem oferecer o mesmo nível de serviços públicos.
Outro fator relevante é o tamanho do Estado brasileiro, que mantém gastos elevados e depende de arrecadação crescente para sustentar políticas públicas, transferências e estrutura administrativa.
Impacto direto no bolso do consumidor
Na prática, impostos mais altos sobre consumo encarecem produtos e serviços essenciais. Isso afeta principalmente famílias de renda média e baixa, já que tributos indiretos representam uma fatia maior do orçamento desses grupos.
Economistas destacam que tributos sobre consumo são regressivos, pois não consideram a capacidade de pagamento do contribuinte. Assim, quanto menor a renda, maior o impacto proporcional do imposto.
O risco adicional é a redução do consumo interno, fator crucial para o crescimento econômico. Com preços mais altos, empresas vendem menos, investem menos e geram menos empregos.
Carga tributária deve pressionar economia
O avanço do IVA elevado ocorre em um momento de crescimento econômico moderado e desafios fiscais persistentes. A expectativa de parte do mercado é que a carga tributária continue pressionando a atividade econômica.
Sem reformas paralelas para reduzir gastos públicos e aumentar eficiência, o imposto mais alto tende a frear investimentos, especialmente em setores intensivos em consumo.
Para analistas, o maior risco é o Brasil atingir o recorde mundial de impostos sem entregar retorno proporcional em serviços, ampliando a insatisfação social e a percepção de desequilíbrio fiscal.