
- Bradesco reporta lucro de R$ 6,5 bi no 4T25 e ROE de 15,2%, acima do custo de capital, em um sinal de recuperação sólida.
- Guidance para 2026 ficou abaixo das expectativas do mercado, com projeção de lucro menor que o consenso e crescimento de carteiras mais moderado.
- Mercado reage negativamente, com queda nos ADRs e sinalizações de cautela diante de projeções conservadoras.
O Bradesco (BBDC4) entregou um ROE de 15,2% no quarto trimestre, superando o custo de capital e confirmando avanço operacional após anos de reestruturação. Ainda assim, as ações reagiram negativamente, refletindo frustração com o guidance para 2026, considerado fraco pelo mercado.
Apesar do lucro líquido trimestral de R$ 6,5 bilhões e de uma melhora consistente na eficiência, investidores penalizaram o banco pela sinalização de crescimento mais lento, especialmente em crédito, receitas e seguros.
Guidance decepciona e vira gatilho de queda
O Bradesco projetou crescimento da carteira de crédito entre 8,5% e 10,5% em 2026, abaixo do ritmo visto em 2025 e inferior às expectativas de analistas. Além disso, a receita de serviços deve avançar apenas entre 3% e 5%, enquanto as despesas operacionais seguem pressionadas, com alta estimada entre 6% e 8%.
A projeção de lucro em torno de R$ 27,5 bilhões em 2026 também ficou abaixo do consenso do mercado, que trabalhava com números mais próximos de R$ 29 bilhões. A leitura predominante é de um banco mais conservador diante do cenário macro.
Esse conjunto levou à queda dos ADRs do Bradesco no after market, sinalizando que a reação negativa pode se refletir no pregão local.
Mercado questiona velocidade da recuperação
Analistas reconhecem que o Bradesco avançou na rentabilidade, mas destacam que o ROE ainda está distante dos níveis históricos do banco, próximos de 20%. A percepção é de que os ganhos mais fáceis da reestruturação já foram capturados.
Outro ponto de atenção foi o guidance mais fraco para seguros, com crescimento estimado entre 6% e 8%, bem abaixo da expansão registrada no ano anterior. O segmento vinha sendo visto como um dos pilares de retomada.
Mesmo com valuation atrativo, negociando próximo de 1,3x valor patrimonial e múltiplos descontados frente aos pares, o mercado segue exigente quanto à trajetória de crescimento.
Ações sentem, apesar dos números
Para gestores, o balanço foi bom no retrovisor, mas fraco no farol, o que explica a pressão sobre BBDC4. O consenso é que o banco precisará entregar aceleração mais clara de resultados para sustentar uma reprecificação dos papéis.
Enquanto isso, investidores mantêm postura cautelosa, à espera de sinais mais concretos de que a melhora operacional pode se traduzir em crescimento mais robusto nos próximos trimestres.