Setor pressionado

“Apocalipse do software” derruba ações e investidor busca pechinchas com cautela

Setor tem pior trimestre relativo desde 2002 e levanta dúvidas sobre o impacto da IA.

Imagem: PeachShutterStock/Shuttertock
Imagem: PeachShutterStock/Shuttertock
  • Setor de software tem pior trimestre relativo desde 2002
  • IA acelera reprecificação e aumenta volatilidade
  • Investidores buscam oportunidades, mas com cautela

A forte correção nas ações de software em Wall Street reacendeu o debate entre investidores sobre o momento de voltar às compras. O movimento, apelidado de “apocalipse do software”, ocorre em meio ao avanço da inteligência artificial e à reprecificação dos modelos de negócio do setor.

Apesar das quedas expressivas, gestores ainda evitam uma postura agressiva, avaliando se o pior já foi precificado.

Queda histórica pressiona valuations

Na última semana, o índice de software e serviços do S&P 500 caiu cerca de 13%, com perda superior a US$ 800 bilhões em valor de mercado.

Além disso, o desempenho relativo do grupo marcou o pior trimestre desde maio de 2002, período posterior ao estouro da bolha das empresas pontocom.

Como resultado, ações como Intuit, ServiceNow, Oracle e Salesforce lideraram as perdas.

IA acelera divisão entre vencedores e perdedores

Ao mesmo tempo, investidores passaram a diferenciar empresas capazes de monetizar soluções de inteligência artificial daquelas mais expostas à disrupção tecnológica.

Nesse contexto, balanços fracos e alertas sobre margens ampliaram a aversão ao risco, enquanto o capital migrou para setores considerados mais defensivos, como energia, indústria e consumo essencial.

Assim, a rotação reduziu o apetite por tecnologia, que vinha liderando o mercado desde 2022.

Compras pontuais, mas sem convicção plena

Mesmo com sinais técnicos de sobrevenda, gestores adotam postura seletiva. Alguns iniciaram compras modestas, apostando em um possível piso de curto prazo.

No entanto, a maioria prefere aguardar catalisadores claros, como crescimento de receita ligada à IA ou novos contratos corporativos relevantes.

Por isso, o consenso segue cauteloso: há valor no longo prazo, mas o risco de novas quedas ainda não saiu do radar.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.