
- Lançamentos +29% e estoques +32% elevam risco para margens e ROE
- Lucro 2026 cortado em 5%, mas 2027 sobe 11% puxado por CYRE3 e LAVV3
- Cyrela é Top Pick com preço-alvo de R$ 40; Helbor vira compra
O BTG Pactual revisou suas projeções para as construtoras de média e alta renda e adotou postura mais conservadora para 2026. Segundo o relatório, os lançamentos cresceram 29% em 2025, enquanto as vendas avançaram apenas 1%, elevando estoques e pressionando retorno.
Apesar da resiliência operacional, o banco avalia que o cenário macro segue desafiador. A Selic está em 15%, e mesmo com expectativa de queda para 12% no fim de 2026, as taxas de financiamento imobiliário permanecem próximas de 14% ao ano, limitando a acessibilidade.
Estoques sobem 32% e acendem alerta
O BTG destaca que os estoques cresceram 32% em 2025, movimento que pode pressionar o ROE via menor giro de ativos e possíveis descontos para acelerar vendas.
Além disso, houve forte saída da poupança, principal fonte de funding do setor. Em 2025, os resgates líquidos somaram R$ 63 bilhões, reduzindo a oferta de crédito imobiliário.
Com isso, o banco cortou as estimativas de lucro de 2026 em 5% para o setor. Para 2027, a projeção subiu 11%, puxada principalmente por Cyrela e Lavvi.
Cyrela é Top Pick; Helbor sobe; Melnick cai
O BTG mantém Cyrela (CYRE3) como principal recomendação, com preço-alvo de R$ 40 e P/L de 6,5x para 2026, apoiada em maior exposição ao MCMV (cerca de 40% dos lucros) e liquidez superior.
A casa elevou Helbor (HBOR3) para compra, citando valuation descontado, negociando a 0,4x P/VP e potencial de alta de 49% até o preço-alvo de R$ 4,1.
Por outro lado, rebaixou Melnick (MELK3) para neutro após recuperação recente, avaliando risco-retorno menos atrativo.
O setor negocia hoje a cerca de 1,0x P/VP médio para 2026, patamar que, segundo o BTG, exige queda mais forte no custo de capital para justificar nova expansão de múltiplos.