Impulso estrangeiro

Bancões ficaram caros após rali? Analistas apontam preferidas em 2026

Alta em janeiro puxou reprecificação do setor financeiro, mas valuations já exigem seletividade.

Bancões ficaram caros após rali? Analistas apontam preferidas em 2026
  • Rali de janeiro elevou valuations dos bancões sem mudança estrutural nos fundamentos
  • Bradesco (BBDC4) aparece como preferência recorrente entre analistas
  • Banco do Brasil (BBAS3) é visto como mais vulnerável a correções por fluxo

As ações dos bancos brasileiros subiram forte em janeiro, acompanhando a entrada de fluxo estrangeiro na Bolsa. O Ibovespa avançou 12,6%, enquanto Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) subiram 16%, 16% e 17%, respectivamente.

Já o Santander Brasil (SANB11) teve alta menor, de 9,5%, mas ainda superou o desempenho histórico médio. Com isso, analistas passaram a questionar se os bancões ficaram caros após o rali.

Itaú BBA vê reprecificação sem mudança estrutural

Segundo o Itaú BBA, houve uma reprecificação generalizada do setor, sem alterações relevantes nas projeções de lucros ou no cenário de juros. Assim, os valuations deixaram de ser óbvios.

Apesar disso, o banco mantém visão construtiva para o setor financeiro, sobretudo se o rali continuar. Nesse cenário, instituições com maior suporte dos próprios lucros tendem a performar melhor.

Por isso, o Itaú BBA destaca Bradesco (BBDC4) e Nu (ROXO34) como principais escolhas, por apresentarem maior resiliência em eventuais correções.

Banco do Brasil aparece como o mais vulnerável

Na avaliação do Itaú BBA, o Banco do Brasil (BBAS3) carrega maior risco relativo, diante da ausência de mudanças fundamentais recentes. O banco projeta ROE para 2026 oito pontos abaixo da média histórica.

Já o Bradesco é o único incumbente com ROE projetado acima da média de cinco anos, o que dá suporte aos múltiplos atuais. Por isso, o papel segue com recomendação outperform.

No caso do Santander (SANB11), o ROE projetado está próximo da média histórica, enquanto os múltiplos estão acima dela. Assim, o Itaú BBA mantém recomendação neutra para SANB11 e BBAS3.

UBS e JPMorgan divergem nas preferências

O UBS BB também avalia que os bancos tradicionais estão mais esticados após o rali. O banco vê o Itaú (ITUB4) negociando com leve prêmio histórico, enquanto Bradesco e Santander ainda operam com desconto.

Por isso, o UBS tem recomendação de compra para Bradesco e Santander Brasil, sendo o Santander sua principal escolha entre os bancões. Para Itaú, a recomendação é neutra, com preferência por Itaúsa (ITSA4), devido ao desconto de 23,4% da holding.

Já o JPMorgan adota postura diferente, com recomendação neutra para Banco do Brasil e Bradesco e overweight para Itaú e Santander Brasil, refletindo leituras distintas sobre valuation e crescimento.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.