Refém da inadimplência

BBAS3 perde força? Itaú BBA corta projeções e vê risco crescente no agronegócio

Banco revisa lucro e preço-alvo do Banco do Brasil após piora das perspectivas para inadimplência rural.

banco do brasil mcamgo abr 280620211818 6
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  • Itaú BBA cortou a projeção de lucro do Banco do Brasil (BBAS3) para R$ 18,4 bilhões em 2026.
  • Banco elevou estimativa de custo de crédito para R$ 73,6 bilhões devido ao agronegócio.
  • Preço-alvo caiu para R$ 21 e a recomendação neutra foi mantida.

O Banco do Brasil (BBAS3) voltou ao centro das atenções após o Itaú BBA reduzir suas projeções para a instituição e reforçar uma visão cautelosa sobre o papel. A principal preocupação dos analistas continua sendo a evolução da inadimplência no agronegócio, segmento que representa uma parcela relevante da carteira de crédito do banco.

Com a revisão, o BBA reduziu sua estimativa de lucro líquido para 2026 de R$ 21,2 bilhões para R$ 18,4 bilhões. Além disso, o banco cortou o preço-alvo de BBAS3 de R$ 22 para R$ 21 e manteve recomendação neutra para as ações.

Agronegócio segue pressionando projeções

O principal ajuste realizado pelos analistas ocorreu nas estimativas para o custo de crédito. O BBA elevou sua projeção de R$ 61,1 bilhões para R$ 73,6 bilhões, valor que supera inclusive o teto da faixa projetada pelo próprio Banco do Brasil.

Segundo o relatório, praticamente toda a revisão está relacionada à carteira do agronegócio. Os analistas acreditam que ainda existe pouca visibilidade sobre quando a inadimplência rural começará a mostrar melhora mais consistente.

Além disso, o banco avalia que novas operações com garantias mais robustas só devem contribuir para uma normalização gradual a partir do segundo semestre de 2026.

Lucro menor e rentabilidade pressionada

Como consequência do aumento esperado nas provisões, o BBA também revisou para baixo suas projeções de rentabilidade.

A expectativa para o ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) caiu de 10,6% para 9,3% em 2026. Apesar disso, os analistas destacam que as operações voltadas para pessoas físicas e empresas devem permanecer relativamente estáveis nos próximos trimestres.

Enquanto isso, a projeção para a margem financeira foi elevada, refletindo um ambiente de juros ainda elevados e uma maior contribuição das receitas financeiras.

BBAS3 ainda enfrenta desconfiança do mercado

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) acumulam queda próxima de 11% em 2026, desempenho inferior ao do Ibovespa, que apresenta valorização no mesmo período.

Para o Itaú BBA, o mercado continuará acompanhando de perto os indicadores de qualidade da carteira rural. Dessa forma, qualquer sinal de estabilização da inadimplência poderá melhorar a percepção sobre o banco nos próximos meses.

Por outro lado, uma deterioração adicional no setor agrícola pode continuar pressionando resultados, provisões e o desempenho das ações.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.