
- Braskem (BRKM5): IG4 Capital concluiu a aquisição da participação da Novonor e assumiu o controle.
- Recuperação extrajudicial aparece como alternativa para reorganizar a estrutura financeira da companhia.
- Analistas veem desafios de liquidez e mantêm recomendação neutra para as ações.
A Braskem (BRKM5) entrou em uma nova fase após a conclusão da transferência do controle da companhia para a IG4 Capital. Com a aprovação final da operação, a gestora passa a dividir o comando da petroquímica com a Petrobras (PETR3; PETR4), encerrando um longo processo envolvendo a saída da Novonor.
A mudança acontece em um momento delicado para a empresa. Além da elevada alavancagem, a Braskem enfrenta desafios relacionados à liquidez, aumento do capital de giro e necessidade de reorganização financeira.
IG4 terá missão de reorganizar a Braskem
Na avaliação do BTG Pactual, a prioridade da nova controladora será estabilizar a situação financeira da companhia.
O banco destaca que o caixa da Braskem opera em níveis considerados apertados, enquanto a forte alta da nafta, principal matéria-prima da petroquímica, elevou significativamente as necessidades de capital de giro.
Além disso, a companhia precisa lidar com uma estrutura financeira sensível aos preços dos insumos. Como os pagamentos aos fornecedores ocorrem em prazo menor do que o recebimento das vendas, o aumento dos custos pressiona diretamente a liquidez.
Recuperação extrajudicial ganha força
Reportagens recentes apontam que a Braskem (BRKM5) avalia ingressar com um pedido de recuperação extrajudicial nas próximas semanas.
Segundo o BTG, essa alternativa permitiria à empresa renegociar o perfil de sua dívida e ganhar tempo para implementar ajustes operacionais sem recorrer a medidas mais agressivas.
Ao mesmo tempo, os analistas consideram pouco provável um aumento de capital no curto prazo. A leitura é que a IG4 pretende focar na reestruturação operacional e financeira antes de discutir aportes relevantes de recursos próprios.
OPA e desalavancagem seguem no radar
O UBS BB considera positiva a troca de controle e avalia que a chegada da IG4 pode facilitar uma solução para os desafios financeiros da companhia.
O banco também não descarta uma eventual Oferta Pública de Aquisição (OPA) no futuro, embora não exista qualquer anúncio oficial sobre o tema neste momento.
Além disso, a nova gestão deverá priorizar iniciativas de desalavancagem, reforço de caixa e captura de eficiência operacional para fortalecer a estrutura de capital da petroquímica.
Analistas mantêm cautela com BRKM5
Apesar da melhora dos spreads petroquímicos e dos benefícios esperados com o REIQ, os analistas seguem cautelosos com a tese de investimento.
O BTG Pactual manteve recomendação neutra para a companhia e preço-alvo de R$ 9,00. Já o UBS BB elevou seu preço-alvo para R$ 10,50, mas também manteve recomendação neutra.
Para os bancos, os riscos relacionados à liquidez, refinanciamento da dívida e sustentabilidade financeira continuam limitando o potencial das ações no curto prazo.