Balanço fraco

Camil (CAML3) despenca 18% após resultado decepcionar e bancos alertarem para 2026 mais difícil

Operação internacional pressionou os números da companhia, enquanto juros elevados e preços baixos seguem no radar dos analistas.

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  • Camil (CAML3) caiu 18,18% após balanço considerado fraco pelo mercado.
  • Operação internacional decepcionou com queda de 48% no Ebitda ajustado.
  • Analistas veem cenário desafiador em 2026, mas mantêm visão positiva para o longo prazo.

As ações da Camil (CAML3) despencaram 18,18% na última quarta-feira (15), encerrando o pregão cotadas a R$ 4,41, após a divulgação de um resultado considerado fraco para o primeiro trimestre de 2026. Embora o balanço tenha vindo próximo das expectativas, o mercado reagiu negativamente ao cenário traçado para os próximos meses.

Segundo analistas, a combinação de desempenho internacional abaixo do esperado, preços pressionados e juros elevados reforça a percepção de que 2026 será um ano mais desafiador para a companhia.

Operação internacional preocupa analistas

Na avaliação do Bradesco BBI, a principal decepção do trimestre veio dos negócios internacionais. O Ebitda ajustado da divisão caiu 48% na comparação anual, para R$ 36 milhões.

Apesar do avanço de 26% no volume vendido, a queda de 32% nos preços realizados reduziu a receita em 15% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para o banco, esse ambiente de preços deprimidos pode continuar até que haja maior clareza sobre a oferta da safra 2026/2027.

Os analistas também destacam que a perspectiva de juros elevados por mais tempo tende a limitar a geração de caixa da companhia. Entre as empresas cobertas pelo BBI, a Camil é considerada uma das mais sensíveis ao comportamento da taxa de juros.

Brasil mostra sinais positivos

No mercado brasileiro, os números foram mais favoráveis. O Ebitda ajustado atingiu R$ 164 milhões, alta de 2% em relação ao ano anterior, enquanto a receita líquida cresceu 5%, chegando a R$ 2 bilhões.

O avanço foi sustentado pelo crescimento de 14% no volume de vendas, enquanto a queda de 8% nos preços realizados ficou abaixo do esperado pelos analistas.

Para o Itaú BBA, a companhia ainda possui potencial de valorização no longo prazo. O banco avalia que uma possível recuperação dos preços do arroz, impulsionada por um evento de El Niño, pode beneficiar a tese de investimento. No entanto, ressalta que a redução da alavancagem e uma geração de caixa mais consistente serão fundamentais para atrair novamente os investidores.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.