
- Valores acima do limite entram na massa falida, sem garantia de recuperação.
- FGC vai pagar até R$ 250 mil por CPF/CNPJ, incluindo rendimentos dos investimentos no Master.
- Processo de ressarcimento começa em cerca de 30 dias, com pagamento via aplicativo.
A liquidação extrajudicial do Banco Master acionou imediatamente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que confirmou o pagamento aos investidores com aplicações em renda fixa emitidas pela instituição. O movimento ocorre após o colapso financeiro do banco e a prisão de Daniel Vorcaro.
Embora o anúncio tenha causado apreensão, o FGC assegura que os clientes cobertos receberão seus recursos dentro dos limites previstos. O processo começa nos próximos dias e segue um fluxo já consolidado pelo mercado.
Como ficam os CDBs após a liquidação
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimento acumulado, para quem possui CDBs, LCIs, LCAs, poupança ou conta corrente do Master. Além disso, o Fundo destaca que sua estrutura possui R$ 160 bilhões em patrimônio, sendo R$ 122 bilhões em caixa, valor que dá segurança ao processo.
Mesmo assim, o FGC não cobre valores acima do limite, que entram diretamente na massa liquidada do banco. Por isso, o excesso depende da recuperação judicial, o que costuma ser lento e incerto. Ainda assim, o procedimento evita perdas maiores e reduz o risco de contágio no sistema financeiro.
Para os clientes, a regra é simples: somar todos os investimentos no Master e verificar quanto está abaixo do teto do FGC. Caso o valor ultrapasse, somente o excedente ficará sujeito ao processo de liquidação.
Quando o investidor recebe o dinheiro
Após o Banco Central decretar a liquidação, o liquidante envia em cerca de 30 dias a lista de investidores ao FGC. Depois disso, o Fundo libera as instruções oficiais em seus canais e orienta o cadastro pelo aplicativo.
Assim que o investidor concluir o cadastro, visualizar o valor elegível e assinar digitalmente o termo, o pagamento ocorre em até dois dias úteis. Todo o processo é digital, sem necessidade de presença física, o que torna a liberação mais ágil.
Embora cada caso tenha particularidades, o FGC afirma que segue o mesmo procedimento aplicado em liquidações anteriores e que trabalha para acelerar o fluxo. O objetivo é devolver rapidamente os valores protegidos para evitar novos impactos financeiros.
Por que o FGC existe
O FGC é uma entidade privada, financiada pelos bancos, e não pelo governo. Ele funciona como um grande seguro contra quebras, impedindo que crises pontuais se transformem em pânico generalizado.
Como todos os bancos são obrigados a contribuir mensalmente, o Fundo acumula recursos suficientes para cobrir eventos como o do Master. Além disso, ele atua para evitar efeitos sistêmicos que poderiam atingir outras instituições e gerar instabilidade na economia.
A última vez que o FGC foi acionado ocorreu em 2023, quando as financeiras BRK e Portcred entraram em liquidação. Naquele caso, o Fundo pagou R$ 2,2 bilhões a cerca de 54 mil clientes, demonstrando sua capacidade de resposta.