Setor de energia

Dividendos das elétricas encolhem; ISAE4, TAEE11 e AXIA3 ainda salvam 2026?

Com ações mais caras e dívida pressionando, yield do setor perde fôlego; veja quem sustenta proventos e quem deve frustrar.

energia marcelo casal
energia marcelo casal
  • Dividend yield do setor dificilmente supera 9% em 2026
  • TAEE11 pode pagar mais, mas com maior alavancagem
  • AXIA3 e ISAE4 equilibram previsibilidade e geração de caixa

O setor elétrico entra na nova safra de balanços com uma pergunta central: os dividendos ainda compensam? Após forte valorização das ações e aumento da alavancagem, o dividend yield projetado para 2026 dificilmente supera 9%.

Entre transmissoras e empresas híbridas, Isa Energia (ISAE4), Taesa (TAEE11) e Axia Energia (AXIA3) aparecem como os principais nomes na disputa por renda passiva, mas com diferenças relevantes de risco e potencial.

Transmissão ainda paga bem, mas exige atenção

A Isa Energia (ISAE4) mantém política clara de distribuir 75% do lucro regulatório, o que sustenta previsibilidade. No entanto, a alavancagem pode superar 4x dívida líquida/Ebitda, ponto sensível para investidores.

Analistas projetam dividend yield entre 4,9% e 7% em 2026. O diferencial está na disciplina financeira e na recomposição de receita após o fim da RBSE em 2028.

Já a Taesa (TAEE11) pode entregar até 9% de yield, mas negocia com alavancagem elevada e precisa investir para renovar concessões que vencem a partir de 2030. O dividendo compensa, mas o risco subiu.

AXIA3 pode surpreender no caixa

Entre as híbridas, a Axia Energia (AXIA3) desponta como potencial destaque. A empresa combina geração, transmissão e comercialização, além de capturar ganhos com trading de energia.

Analistas estimam dividend yield entre 7,5% e 8,2% em 2026, mesmo com plano de investimentos robusto de cerca de R$ 14 bilhões.

A alavancagem está em 2,1x dívida líquida/Ebitda, ainda abaixo do limite gerencial. Isso abre espaço para manter proventos relevantes no curto prazo.

Quem pode decepcionar

A Auren (AURE3) surge como possível frustração.

Com dívida elevada após a incorporação da AES Brasil, o mercado não projeta yield acima de 4% em 2026.

No caso da Engie (EGIE3), a incorporação de ativos como Jirau pode fortalecer a geração futura, mas a alavancagem próxima de 3,2x exige monitoramento.

O que mudou no setor

O cenário atual é diferente do passado. Antes vistas como “máquinas de dividendos”, as elétricas agora convivem com:

  • Ciclo pesado de investimentos
  • Pressão sobre endividamento
  • Ações negociando a múltiplos mais altos

Isso reduz o espaço para yields muito elevados no curto prazo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.