
- Dólar fechou a R$ 5,12 no menor nível desde maio de 2024
- Pesquisa eleitoral reduziu percepção imediata de risco
- Superávit fiscal e queda do crédito reforçaram o movimento
O dólar perdeu força no Brasil e surpreendeu investidores nesta quarta-feira. A moeda americana fechou a R$ 5,1247, menor valor desde maio de 2024, acompanhando a queda internacional do dólar.
Ao mesmo tempo, o mercado doméstico ganhou um componente adicional. Uma nova pesquisa eleitoral apontou empate técnico entre os principais candidatos ao Planalto, o que reduziu parte dos prêmios de risco embutidos nos ativos locais.
Exterior ajuda e política pesa
Primeiro, o movimento veio de fora. O enfraquecimento global da moeda americana favoreceu moedas emergentes e, portanto, abriu espaço para valorização do real.
Além disso, o mercado avaliou a nova pesquisa eleitoral. Embora ainda exista incerteza, a leitura foi de menor polarização imediata, o que reduziu a demanda por proteção cambial.
Como consequência, o dólar futuro também caiu e ficou perto de R$ 5,12 na B3, reforçando o movimento técnico de apreciação do real.
Dados fiscais e crédito entraram na conta
Internamente, os números fiscais também influenciaram. O governo registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, mostrando arrecadação ainda forte, mesmo com despesas maiores.
Por outro lado, o crédito desacelerou. As concessões do sistema financeiro caíram 18,9% no mês, sinalizando atividade mais fraca e ajudando a conter expectativas de inflação.
Assim, com menor pressão inflacionária e dólar fraco no exterior, o câmbio acumulou queda de 6,64% no ano, consolidando tendência recente.