Energia de sobra

Engie (EGIE3) pode minerar Bitcoin no Brasil após prejuízo em usina solar

Cortes de energia no sistema elétrico levam empresa a estudar data centers para usar eletricidade excedente.

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  • Engie estuda usar energia excedente para minerar Bitcoin
  • Cortes do sistema elétrico estão reduzindo retorno da usina
  • Empresa pode adiar novos projetos solares no país

A Engie Brasil Energia (EGIE3) avalia instalar estruturas de mineração de Bitcoin em seu maior complexo solar do mundo, o Assú Sol, no Rio Grande do Norte. A medida surge após perdas causadas por cortes obrigatórios de geração.

O projeto recebeu investimento de R$ 3,3 bilhões e entrou em operação recentemente. Porém, restrições do sistema elétrico vêm reduzindo a quantidade de energia efetivamente vendida.

Por que a empresa pensou em minerar cripto

O problema está no chamado curtailment. O Operador Nacional do Sistema Elétrico limita a produção porque há excesso de energia durante o dia no país.

Com isso, parte da eletricidade gerada simplesmente não pode ser entregue à rede. A situação afeta todo o setor renovável e já provoca perdas bilionárias desde 2023.

Nesse cenário, a companhia estuda instalar baterias ou data centers. A mineração de Bitcoin serviria como consumo local imediato, evitando desperdício e melhorando o retorno financeiro do projeto.

Impactos para o setor elétrico

O complexo Assú Sol possui 753 MW de capacidade e mais de 1,5 milhão de painéis solares, energia suficiente para atender cerca de 850 mil consumidores. Ainda assim, a sobreoferta impede o aproveitamento total.

Segundo a empresa, a solução não é imediata e levará anos para implementação. Enquanto isso, novos investimentos solares devem ficar suspensos até que o mercado seja equilibrado.

A decisão chama atenção porque mostra um problema estrutural do setor: o Brasil passou a ter grande expansão renovável sem crescimento equivalente do consumo no horário diurno.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.