
- Queda das ações do BTG: -2,49% após temores de AI substituir consultores.
- Risco sistêmico global: robo-advisors e AI projetados para dominar 80% da consultoria até 2028.
- Receitas sob pressão: A AI pode reduzir taxas e alterar modelo de gestão tradicional.
Na última sessão, ações de instituições de wealth management despencaram com o medo de que bots de inteligência artificial substituam consultores humanos, e o BTG Pactual (BPAC11) não ficou imune — encerrando o dia com queda de -2,49% após o sell-off global.
O que aconteceu e por que é alarmante
Investidores globais jogaram para baixo papéis de bancos e gestoras depois de um novo software de AI da startup Altruist Corp criar estratégias tributárias automaticamente, disparando temores de que algoritmos vão roubar espaço de assessores e comprimir as taxas de administração — uma das principais fontes de receita dessas instituições.
Essa pressão se deu simultaneamente a quedas fortes em nomes como Charles Schwab (-7,5%) e LPL Financial (-8,5%), refletindo um temor mais amplo de que robôs possam dominar a gestão de investimentos em vez de humanos.
Tendência de crescimento da AI e robo-advisors
Relatórios de consultorias apontam que AI pode se tornar a principal fonte de aconselhamento para investidores de varejo até 2028, com projeção de uso em cerca de 80% dos casos, pressionando margens das gestoras tradicionais.
Além disso, pesquisas globais indicam que ativos sob gestão de robo-advisors podem quase dobrar até 2027, chegando a níveis trilionários globalmente, acelerando a disrupção no setor de wealth management.
Impacto para o BTG e a XP
Embora o BTG tenha divulgado lucro líquido de R$ 16,7 bilhões em 2025, um crescimento de 35% ano a ano, e receitas de R$ 5 bilhões em wealth management, a crescente aposta em tecnologia AI pelo mercado pode reduzir a dependência de consultores humanos e pressionar receitas futuras.
Já a XP Investimentos (XPBR31) está no centro das preocupações do mercado após o avanço acelerado de soluções de inteligência artificial no setor financeiro, já que boa parte do seu modelo de negócios depende de assessoria humana e comissões recorrentes.
Com cerca de R$ 1,2 trilhão sob custódia e mais de 4 milhões de clientes, a XP enfrenta o risco de compressão de margens caso plataformas automatizadas consigam oferecer alocação, rebalanceamento e planejamento financeiro a custos muito menores, cenário que já provocou quedas relevantes em ações de corretoras globais e acendeu o alerta entre investidores sobre o impacto estrutural desse movimento no valuation da companhia.