Lucro fraco

Mercado reage mal ao 4T25 da Rede D'or e ações despencam quase 5%

Custos maiores e resultado abaixo das projeções frustram investidores mesmo com demanda aquecida.

Rede Dor 4
Rede Dor 4
  • Lucro ficou abaixo das estimativas e derrubou RDOR3
  • Custos da SulAmérica pesaram no resultado
  • Analistas mantiveram recomendação de compra

As ações da Rede D’Or (RDOR3) recuaram forte após a divulgação do resultado do 4T25, chegando a cair cerca de 4,55%, a R$ 41,54, por volta de 15h. O mercado reagiu negativamente mesmo com crescimento operacional relevante.

O problema não foi a demanda. Analistas apontam que hospitais seguiram cheios e a receita cresceu, porém a rentabilidade ficou abaixo das estimativas e levantou dúvidas sobre o ritmo de geração de lucro.

O que decepcionou

Relatórios indicam que o lucro por ação ajustado ficou aproximadamente 13% a 15% abaixo do esperado pelo JP Morgan. Ao mesmo tempo, o Bradesco BBI viu desvios de cerca de 5% no Ebitda e no lucro líquido.

Além disso, as despesas financeiras cresceram forte e pesaram no resultado. O aumento de custos veio principalmente da SulAmérica, com provisões judiciais e maiores gastos operacionais.

Ainda assim, a receita hospitalar avançou cerca de 16% em um ano. Contudo, procedimentos mais complexos reduziram a margem e limitaram a conversão desse crescimento em lucro.

O peso da SulAmérica

A área de seguros gerou grande parte das preocupações. O Itaú BBA destacou aumento de 132% nas provisões e avanço de 44% nos serviços de terceiros.

Enquanto isso, houve divergência entre casas de análise sobre a sinistralidade. Alguns analistas viram melhora operacional, porém outros apontaram efeito contábil temporário.

Mesmo com esses pontos, a ocupação hospitalar permaneceu elevada e acima da média histórica para o período, mostrando que a operação continua aquecida.

Recomendação não mudou

Apesar da queda das ações, JP Morgan, Bradesco BBI e Itaú BBA mantiveram recomendação de compra para Rede D’Or (RDOR3).

Os bancos entendem que o balanço não altera a tese estrutural. O mercado, contudo, passou a exigir melhora de margem antes de voltar a pagar prêmio elevado pelo papel.

No curto prazo, portanto, a ação tende a reagir mais à evolução de custos do que ao crescimento de receita.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.