
- Vazamento de 18 mil litros afetou fauna marinha na Foz do Amazonas
- Petrobras (PETR4) recebeu multa e pode enfrentar atrasos regulatórios
- Licenciamento da nova fronteira petrolífera virou risco para PETR4
Um vazamento ligado à Petrobras (PETR4) na Foz do Amazonas voltou a colocar a estatal no centro de um debate ambiental — e também financeiro. Um relatório técnico obtido por autoridades ambientais aponta que o incidente ocorrido em janeiro gerou danos à fauna marinha, contrariando a avaliação inicial da própria companhia.
O episódio acontece justamente enquanto a empresa tenta avançar na exploração da chamada Margem Equatorial, considerada uma das últimas grandes fronteiras petrolíferas do Brasil. O risco agora não é apenas ambiental: investidores passaram a avaliar possíveis multas, atrasos em licenças e impacto reputacional.
O que aconteceu
Segundo o laudo, cerca de 18 mil litros de fluido de perfuração escaparam durante atividade no bloco FZA-M-59, a aproximadamente 160 km da costa do Amapá.
O material é uma mistura oleosa que possui toxicidade suficiente para afetar organismos marinhos até sua completa degradação.
De acordo com especialistas, a viscosidade do produto pode impedir animais de respirar e se alimentar, além de eliminar organismos-chave e alterar toda a cadeia alimentar local.
O Ibama confirmou a responsabilidade da Petrobras (PETR4) e aplicou multa de R$ 2,5 milhões relacionada ao vazamento.
Versão da empresa e divergência técnica
Inicialmente, a Petrobras (PETR4) informou que o fluido era biodegradável e não causaria danos ao ambiente ou às pessoas.
O novo relatório, porém, contradiz essa percepção e indica risco ecológico real, inclusive para espécies sensíveis e áreas protegidas da região amazônica costeira.
A ANP ainda exigiu ajustes operacionais e substituição de equipamentos antes da retomada da perfuração, o que pode atrasar o projeto exploratório da Petrobras (PETR4).