
- Petrobras (PETR4) estuda produzir SAF a partir de etanol em Paulínia
- Brasil ganha vantagem com etanol de baixa emissão
- Projeto mira mercado global com prêmio de carbono crescente
A Petrobras (PETR4) iniciou estudos para produzir combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de etanol. O projeto considera a instalação na refinaria de Paulínia (Replan), com capacidade estimada de 10 mil barris por dia.
A iniciativa surge em meio ao petróleo elevado, com o Brent próximo de US$ 95–100, e busca posicionar a companhia em um mercado com forte crescimento global e regulação crescente.
Estratégia mira novo mercado regulado
A Petrobras pretende utilizar a rota Alcohol-to-Jet (ATJ), tecnologia já validada, mas ainda pouco difundida em escala. O foco está em capturar o chamado prêmio de carbono, que vem sustentando a demanda por combustíveis sustentáveis.
Além disso, programas como o CORSIA e mandatos europeus de mistura garantem demanda previsível. Isso reduz riscos e cria um mercado menos dependente apenas do preço do petróleo.
Assim, o SAF passa a incorporar não só custo energético, mas também o custo ambiental.
Etanol brasileiro vira vantagem competitiva
O Brasil entra nesse mercado com diferencial relevante. O etanol possui baixa intensidade de carbono, além de escala produtiva já consolidada.
Segundo estimativas, o SAF derivado de etanol pode reduzir emissões em até 70% a 80% em relação ao querosene tradicional. Isso fortalece a competitividade do país na transição energética.
Por outro lado, o custo ainda é elevado. O SAF pode ser até 4 vezes mais caro que o combustível fóssil, o que mantém dependência de incentivos e regulação.
Riscos seguem no radar
A viabilidade do projeto depende de três fatores principais: preço do petróleo, preço do carbono e regulação. Sem esse tripé, a demanda pode enfraquecer.
Além disso, a maior demanda por etanol pode pressionar preços e gerar disputas na cadeia sucroenergética.
Mesmo assim, o movimento sinaliza uma mudança estratégica. A Petrobras busca capturar valor não só no petróleo, mas também na descarbonização de setores difíceis, como a aviação.