Crise estrutural

Raízen (RAIZ4) vira centro de pressão e credores cobram até R$ 25 bilhões em novo capital

Bancos e detentores de títulos consideram proposta de acionistas insuficiente e pedem reforço robusto para evitar deterioração maior.

Foto: Divulgação/Raízen
Foto: Divulgação/Raízen
  • Credores estimam necessidade de até R$ 25 bilhões para estabilizar a empresa
  • Proposta atual de aporte é vista como insuficiente
  • Negociações envolvem Cosan, Shell e BTG Pactual

Credores da Raízen (RAIZ4) enviaram cartas à Cosan (CSAN3) e à Shell pedindo uma injeção de capital considerada substancial. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o mercado avalia que a proposta atual não resolve o problema estrutural da companhia.

Enquanto acionistas discutem aporte de até R$ 5 bilhões, parte dos credores calcula que a empresa precisaria de algo entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões para estabilizar a alavancagem e restaurar a confiança.

Pressão sobre os controladores

Bancos como Santander (SANB11), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e JP Morgan teriam participado das comunicações. Além disso, consultorias financeiras representaram grupos de credores e detentores de títulos nas negociações.

O pano de fundo é delicado. A empresa enfrentou juros elevados, safras mais fracas e investimentos agressivos, enquanto o retorno demorou a aparecer, o que pressionou caixa e levou ao rebaixamento de rating.

Por isso, credores defendem que apenas um reforço relevante de capital pode evitar soluções mais duras. Na avaliação deles, dividir ativos neste momento aumentaria riscos para quem já financiou o grupo.

O que está em jogo

A proposta em discussão envolve aporte dos controladores e possível entrada de fundos ligados ao BTG Pactual (BPAC11). Além disso, há conversas sobre conversão parcial de dívida em capital, medida que enfrenta resistência.

Parte do mercado argumenta que Cosan (CSAN3) e Shell receberam cerca de R$ 18 bilhões em dividendos da Raízen nos últimos dez anos. Portanto, haveria espaço para ancorar uma oferta maior e atrair novos investidores.

Ao mesmo tempo, a venda de ativos na Argentina pode reforçar o caixa. Ainda assim, credores indicam que o volume de capital precisa ser suficiente para reduzir a alavancagem de forma estrutural e restaurar credibilidade.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.