
- Goldman rebaixa Ultrapar (UGPA3) para neutro mesmo com cenário favorável ao setor.
- Ipiranga deve responder por 56% do EBITDA em 2026, reduzindo exposição ao ciclo positivo.
- Diversificação e menor sensibilidade a juros aumentam a cautela com a ação.
A Ultrapar (UGPA3) entrou no radar negativo do mercado após o Goldman Sachs rebaixar a recomendação da ação de compra para neutra. A revisão ocorre mesmo com um cenário mais favorável para grandes distribuidoras de combustíveis.
Segundo o banco, o avanço das autoridades contra a informalidade beneficia o setor, mas a Ultrapar captura menos esse movimento, o que limita o potencial de valorização no curto e médio prazo.
Menor exposição à distribuição pesa
O Goldman destaca que a Ipiranga, braço de combustíveis da Ultrapar, deve responder por cerca de 56% do EBITDA em 2026.
Além disso, embora relevante, o percentual é inferior ao de concorrentes mais focados no core do setor.
Com isso, a empresa fica menos alavancada ao ciclo positivo da distribuição, fator central para a mudança de recomendação.
Diversificação gera cautela
Outro ponto citado é a possível diversificação além dos negócios principais.
Nesse sentido, para o banco, investimentos fora do core podem diluir o foco estratégico e aumentar a complexidade da tese justamente em um momento favorável ao setor.
Apesar disso, o Goldman reconhece o turnaround iniciado em 2021, que reduziu a diferença operacional entre a Ipiranga e seus pares.
Impacto menor da queda de juros
Em um cenário de redução das taxas de juros, a UGPA3 tende a se beneficiar menos.
Ademais, a estimativa indica que cada queda de 1 ponto percentual nos juros eleva o lucro líquido em cerca de 3%, abaixo de concorrentes mais alavancados.
Em suma, esse fator reforça a visão de upside limitado para a ação no momento.