
- Baixas contábeis causaram o prejuízo de US$ 3,8 bilhões, e não uma piora operacional
- Ebitda superou expectativas com vendas fortes e redução de custos
- Queda das ações reflete realização e recuo do minério, não deterioração estrutural
A Vale (VALE3) reportou prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no 4T25, mais de cinco vezes superior ao resultado negativo de um ano antes. Ainda assim, o mercado não reagiu com pânico.
Isso porque o número foi pressionado por baixas contábeis bilionárias, enquanto o Ebitda superou expectativas e reforçou a resiliência operacional da mineradora.
O que pesou no prejuízo?
A última linha foi impactada por impairments de US$ 3,5 bilhões em ativos de níquel no Canadá e por baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido. Portanto, o efeito foi essencialmente contábil.
Ao excluir itens não recorrentes, o lucro líquido proforma somou US$ 1,5 bilhão, alta de 68% na comparação anual. Além disso, a geração operacional mostrou força.
O Ebitda ajustado atingiu cerca de US$ 4,6 bilhões, acima das projeções, impulsionado por maiores volumes de minério de ferro e cobre, melhora de custos e receitas de subprodutos.
Então por que a ação caiu?
Mesmo com números operacionais sólidos, a ação recuou. Primeiro, investidores realizaram lucros após forte alta em 2026. Além disso, o minério de ferro caiu no exterior, pressionado por dados fracos da China.
A dívida líquida expandida recuou para US$ 15,6 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre ficou próximo de US$ 1,7 bilhão, reforçando disciplina financeira.
Assim, analistas mantêm visão construtiva, citando yield de FCF estimado em 8% para 2026 e potencial de revisões positivas nas projeções.