
- Pandora alerta para pressão de ouro e prata e margens menores em 2026
- Vivara tem menor exposição à prata, mas segue sensível ao risco commodities
- BBI é neutro; BTG mantém compra e vê execução como diferencial
Os resultados da Pandora passaram a funcionar como termômetro para a Vivara (VIVA3) em meio ao avanço das commodities. A joalheria dinamarquesa apontou ambiente mais desafiador na América Latina e pressão relevante de ouro e prata sobre margens.
Esses sinais reacenderam o debate sobre o risco commodities na tese da Vivara, sobretudo diante da forte valorização da prata, principal insumo da unidade Life.
O que a Pandora sinalizou
A Pandora projetou queda da margem EBIT em 2026, para 21%–22%, ante 24,4% em 2025, citando impacto de 150 a 250 pontos-base vindo da alta dos metais. Ao mesmo tempo, a empresa prevê reajustes médios de apenas 2%, limitando repasses.
Além disso, a companhia anunciou ajustes operacionais, incluindo o fechamento de 50 operações shop-in-shop no Brasil e na China até 2026. A leitura combina consumo mais fraco, concorrência agressiva e pressão de custos.
Como resposta, a Pandora acelerou a diversificação de matérias-primas, com foco em platina. A meta é reduzir a dependência da prata, hoje em torno de 60%, para 25% ao longo do tempo.
Leitura para a Vivara
Para o Bradesco BBI, o alerta traz impacto econômico negativo, embora a Vivara tenha menor exposição à prata, cerca de 35%, além de estrutura mais verticalizada e flexível. Ainda assim, o banco vê o risco como legítimo, já que a prata acumula alta de 139% em 12 meses.
O BTG Pactual mantém visão construtiva. Segundo o banco, a Vivara mostra capacidade de proteger margens mesmo com commodities elevadas, apoiada em estoque, fabricação própria e disciplina de preços, apesar de um 2026 mais sensível à execução do mix.
Diante desse cenário, o BBI mantém recomendação neutra, enquanto o BTG segue com compra e preço-alvo de R$ 36, destacando ROIC próximo de 30% e foco em geração de caixa.