
- FGC inicia processo de ressarcimento dentro do limite garantido por CPF/CNPJ.
- BC decreta liquidação do Banco Master e afasta antigos controladores.
- Prisão de Daniel Vorcaro acelera intervenção e encerra negociações de venda.
O Banco Central tomou uma das decisões mais duras do sistema financeiro ao decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida que desmonta a instituição e retira de cena o grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (18).
A intervenção encerra meses de incertezas, trava negociações com outros grupos financeiros e coloca o FGC no centro do ressarcimento aos clientes, que agora aguardam o processo formal para recuperar seus depósitos.
Queda repentina e afastamento dos controladores
O ato assinado por Gabriel Galípolo, presidente do BC, determina também a liquidação da Master SA Corretora de Câmbio e torna indisponíveis os bens da Master Holding Financeira, da 133 Investimentos e dos administradores envolvidos. Com isso, o regime especial remove imediatamente o antigo comando do banco.
A ofensiva ocorre horas após a prisão de Daniel Vorcaro em São Paulo, aprofundando o colapso da instituição. O movimento surpreendeu o mercado, já que o Master ainda negociava alternativas de capitalização.
Além disso, o BC encerra negociações com possíveis compradores, incluindo o Grupo Fictor, que havia divulgado interesse na véspera da liquidação.
Vetos anteriores aceleraram o desfecho
A liquidação surge apenas seis semanas após o BC vetar a venda de uma fatia do Master ao Banco de Brasília (BRB), operação avaliada como uma saída possível para aliviar o balanço da instituição. Entretanto, o órgão regulador concluiu que não havia solução viável para manter o banco ativo.
Diante do impasse, o BC aplicou a medida mais severa do arcabouço de resolução, suspendeu todas as operações e declarou vencidas todas as obrigações financeiras. Assim, o BC inicia a retirada ordenada do Master do sistema.
Portanto, a liquidação extrajudicial não tem prazo para terminar, e o encerramento depende de decisão futura do BC ou da decretação de falência.
Como o FGC vai ressarcir os clientes
Com a intervenção, o FGC assume o processo de ressarcimento, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF/CNPJ, acumulado até R$ 1 milhão em quatro anos. Valores acima desse teto não são cobertos.
O pagamento começa após o banco enviar ao FGC a lista de credores, o que costuma levar cerca de 30 dias úteis. Depois disso, o fundo libera o pedido no aplicativo oficial, permitindo que o cliente valide documentos e indique a conta para receber o valor.
Após a assinatura digital do termo de sub-rogação, o depósito costuma ser realizado em até 48 horas, embora não haja prazo formal estipulado.