
O medo do mercado com o fim das operações da Oi é injustificado, segundo o CEO da companhia, Rodrigo Abreu. O gestor defendeu na manhã desta terça-feira, 7, que a companhia é sustentável do ponto de vista de estratégia e operação e que a reestruturação da dívida financeira da empresa não irá afetar as atividades.
“Ela carrega dívida do passado. Não tem nada a ver com a operação atual da companhia”, disse Abreu.
As declarações foram dadas após os executivos da empresa saírem de reunião em Brasília com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
De acordo com Abreu, o encontro teve caráter de “acompanhamento de status” da Oi, em que ela prestou contas e mostrou seus planos e passos para a sustentabilidade futura da tele. “Se não acreditássemos na sustentabilidade não estaríamos fazendo todo o plano que estamos fazendo há bastante tempo”, disse a jornalistas. “A Anatel tem dever de ofício de acompanhar concessão.”
A reunião aconteceu após a companhia precisar buscar na Justiça proteção contra seus credores, pouco mais de um mês após ter decretado o fim de seu processo de recuperação judicial.
Visionários ou loucos? Descubra quem está comprando ações da Oi
No mercado de capitais, existe uma dualidade muito bem definida: existem os visionários que encontram as melhores oportunidades, e os loucos que buscam encontrar oportunidades mesmo nos lugares mais improváveis.
A diferença, no entanto, é extremamente sútil quando falamos das ações da Oi, que está passando por uma forte volatilidade na bolsa de valores nos últimos dias.
A empresa encerrou sou processo de recuperação judicial, ganhando sobrevida. O novo planejamento operacional voltado a focar suas operações no segmento de fibra ótica ajuda a fortalecer o discurso da nova “Oi”, aumentando os ânimos dos investidores “buy side”.
Por outro lado, quem está apostando na queda das ações também está bem suprido de argumentos, mesmo com a disparada, a recomendação dos analistas é de não se deixar levar somente pela valorização, já que a tese da Oi continua a mesma.
“Não há nada de novo que crie valor para a companhia. Diante de um cenário que há vários ativos baratos, não vejo motivos para estar alocado em uma empresa com incertezas”, discorre Ishigami.
Charo Alves, especialista da Valor Investimentos, argumenta que o investidor precisa ter cautela, dado o alto grau de endividamento da tele.
“Não é uma notícia ou outra que vai virar o fundamento da companhia. A alta pode ser o excesso de desconto, dando um fluxo de compra no papel, mas sem uma mudança nos fundamentos”, diz.