
- Projeto prevê CNH até 80% mais barata com cursos online e instrutores autônomos.
- Aulas práticas deixam de ter carga horária mínima, mas exames seguem obrigatórios.
- Autoescolas perdem exclusividade, mas podem atuar como opção complementar.
O governo federal prepara uma mudança histórica nas regras para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo o secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, as alterações podem entrar em vigor ainda em 2025 e prometem cortar em até 80% o valor pago hoje pelos candidatos.
O plano em estudo no Ministério dos Transportes suspende a obrigatoriedade de frequentar autoescolas para quem busca as categorias A (motos) e B (carros), mantendo apenas a exigência de aprovação nos exames teórico e prático.
Como deve funcionar
A proposta abre espaço para que os futuros condutores escolham como se preparar. Os alunos poderão estudar o conteúdo teórico presencialmente, por ensino a distância em empresas credenciadas ou até por curso digital oferecido diretamente pela Senatran.
Já a etapa prática deixa de ter carga horária mínima obrigatória. Logo, o candidato poderá decidir se treina em autoescolas ou com instrutores autônomos credenciados pelos Detrans.
Desse modo, mesmo com a flexibilização, os exames finais seguem obrigatórios. Somente os candidatos que passarem nos testes teórico e prático terão direito à CNH.
Impactos esperados
O governo acredita que a mudança pode reduzir o custo do documento, hoje em alguns estados próximo a R$ 3 mil, e atrair milhões de brasileiros que não conseguem arcar com o valor.
Além disso, segundo a Senatran, mais da metade da população não possui habilitação, e o preço aparece como principal barreira para 32% dos entrevistados.
Para Catão, a medida também tem potencial para aumentar a segurança no trânsito. Portanto, a avaliação é que a flexibilização do processo incentivará motoristas a se regularizarem, já que a formação continuará testada por provas oficiais.
Resistências e debate
As autoescolas resistem às mudanças, alegando que a exclusividade na formação garante qualidade. Assim, o governo considera o modelo atual ultrapassado e afirma que ele não reflete práticas adotadas em países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.
Ademais, a minuta da resolução deve ser publicada em breve e ficará 30 dias em consulta pública nas plataformas digitais do governo.
Depois, as contribuições serão analisadas e o texto final do Contran publicado. Por fim, como se trata de norma do Executivo, não precisa passar pelo Congresso.