
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sofreu uma derrota judicial em um processo no qual representava o Banco Master e seu CEO, Daniel Vorcaro.
De acordo com reportagem publicada pelo UOL em 19 de janeiro de 2026, a queixa-crime movida contra o investidor Vladimir Joelsas Timerman (fundador e gestor da Esh Capital) foi rejeitada em primeira e segunda instância. A ação, iniciada em outubro de 2024, acusava Timerman de calúnia e difamação devido a uma notícia de fato apresentada por ele ao Ministério Público Federal (MPF).
Contexto da disputa
Timerman havia denunciado Vorcaro e o Banco Master por supostos indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo operações fraudulentas envolvendo a Gafisa e o Fundo Brazil Realty, com participação de Nelson Tanure (alvo de investigações da Polícia Federal). Após a prisão preventiva de Vorcaro e a deflagração da Operação Compliance Zero pela PF — que, segundo Timerman, confirmaria suas alegações de 2023 —, o investidor apresentou nova representação.
Na queixa-crime assinada por Viviane Barci de Moraes (e também por outros advogados do escritório, incluindo filhos do ministro Alexandre de Moraes), defendia-se que Vorcaro era um “respeitado empresário” e que as informações divulgadas por Timerman extrapolavam o exercício regular de direito.
O Ministério Público recomendou a rejeição da queixa por falta de justa causa, argumentando que a apresentação de uma notícia de fato ao MP não configura ato criminoso. A juíza da 14ª Vara Criminal de São Paulo seguiu esse entendimento em setembro de 2025, rejeitando a ação. O recurso foi negado pela Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em outubro, mantendo a decisão. Como resultado, o Banco Master e Vorcaro foram condenados a pagar R$ 5,5 mil em honorários advocatícios ao advogado de Timerman.
Contrato suspeito com o escritório
Esse caso representa, até o momento, a única ação conhecida em que o escritório de Viviane Barci de Moraes atuou em defesa do Banco Master. O contrato firmado com a instituição previa honorários de R$ 3,6 milhões mensais por três anos (total potencial de até R$ 129 milhões), com início em 2024. No entanto, com a liquidação extrajudicial do Banco Master, o contrato foi extinto e os pagamentos não foram integralmente realizados.
Timerman chegou a questionar a escolha do escritório “da esposa de um ministro do STF” entre dezenas de opções e mais de 77 mil processos envolvendo o banco, sugerindo “propósito intimidatório” na contratação.
A informação foi inicialmente revelada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e confirmada pelo UOL. O episódio ocorre em meio ao contexto de investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, que permanece preso preventivamente.
Essa matéria é baseada exclusivamente na reportagem do UOL de 19/01/2026 e em coberturas correlatas publicadas na mesma data.