
O terceiro trimestre de 2025 marcou uma transição decisiva para o mercado de criptomoedas na Europa.
Em resumo, o período foi menos moldado pela especulação de preços e mais pela execução regulatória, pelo posicionamento institucional e pela consolidação. Inclusive, essas foram as principais forças que redefiniram a forma como o capital circula e como a informação é consumida em toda a região.
Três dinâmicas definiram os destaques para o trimestre:
- A MiCA (Markets in Crypto-Assets ou a regulamentação dos Mercados de Criptoativos) passou da fase de estrutura teórica para a realidade, desencadeando uma consolidação à medida que as empresas se preparavam para os prazos de autorização e o vencimento gradual dos regimes nacionais de “direitos adquiridos”.
- A liderança do mercado mudou, com o Ethereum e as altcoins vinculadas à infraestrutura superando o Bitcoin em meio ao renovado interesse em DeFi, escalabilidade de camada 2 e tokenização de ativos do mundo real.
- A participação institucional aumentou, impulsionada pela clareza regulatória, fluxos de entrada de ETFs e uma crescente preferência por plataformas compatíveis e prontas para a Europa.
Ao mesmo tempo, os requisitos operacionais da Lei de Resiliência Operacional Digital (DORA – Digital Operational Resilience Act) continuaram a elevar o nível de exigência para as empresas de criptomoedas, reforçando a tendência para padrões de nível institucional e reduzindo ainda mais o número de provedores.
Essas mudanças de mercado ocorreram em paralelo a uma mudança mais discreta, porém igualmente importante: a forma como o público descobre informações sobre criptomoedas.
Com a visibilidade reduzida nas buscas e a descoberta mediada por IA começando a remodelar a dinâmica de referência, o ecossistema de mídia cripto da Europa entrou no terceiro trimestre enfrentando uma nova forma de pressão voltada não apenas para crescer, mas também para se manter visível.
Considerando esses fatos, a agência Outset observou o impacto nos meios de comunicação europeus, tanto nos especializados em criptomoedas quanto na mídia tradicional.
Veículos focados em cripto na Europa cresceram em relação ao trimestre anterior, apesar da pressão no 3T25
A mídia nativa de criptomoedas na Europa iniciou o terceiro trimestre de 2025 com uma base de comparação mais alta do que no segundo trimestre, resultando em um crescimento líquido trimestral (T/T) no nível agregado.
Por outro lado, o tráfego continuou a cair de forma constante durante o trimestre, evidenciando a pressão contínua na descoberta de conteúdo e o desempenho desigual entre os veículos.
Combinados, os veículos de conteúdo focados em cripto da Europa Oriental e Ocidental registraram 67,51 milhões de visitas no terceiro trimestre, sendo um aumento líquido de 2,55 milhões de visitas (+3,93% T/T) em comparação aos 64,96 milhões do 2T25.
No entanto, esse ganho trimestral mascarou um declínio constante dentro do 3T25. O tráfego caiu de 23,84 milhões de visitas em julho para 20,73 milhões em setembro, representando uma perda de 3,11 milhões de visitas (-13,07%) entre os trimestres.
- Julho: 23,84 milhões de visitas
- Agosto: 22,94 milhões de visitas
- Setembro: 20,73 milhões de visitas
Segmentando os veículos de comunicação por nível de audiência, o desempenho permaneceu desigual: 39% dos veículos registraram crescimento, enquanto 61% apresentaram queda ou estagnação, evidenciando a contínua fragmentação entre as mídias tradicionais mais fortes.
Tendência agregada diverge da dinâmica entre as regiões
O terceiro trimestre não se desenrolou como uma recuperação ou contração uniforme em toda a Europa. Em vez disso, o dinamismo regional divergiu, com a Europa Oriental e Ocidental contribuindo de forma diferente para os ganhos trimestrais e as perdas no 3T25.
A Europa Oriental gerou 23,13 milhões de visitas no terceiro trimestre, um aumento em relação aos 20,61 milhões do segundo trimestre, representando um incremento de 2,52 milhões de visitas (+12,23% em relação ao 2T25). Isso marcou uma clara inflexão após a acentuada queda de 18% registrada no segundo trimestre.
No terceiro trimestre, a Europa Oriental apresentou apenas uma leve queda no período, com o tráfego diminuindo de 7,86 milhões de visitas em julho para 7,59 milhões em setembro, uma perda de 269,8 mil visitas (-3,44%).
Isso indica uma estabilização agregada, em vez de uma recuperação completa, com a região encerrando o trimestre significativamente mais forte do que a linha de base do segundo trimestre, apesar de uma leve pressão mensal.
A Europa Ocidental registrou 44,38 milhões de visitas no terceiro trimestre, em comparação com 44,35 milhões no segundo trimestre, resultando em uma variação praticamente estável de 32,7 mil visitas (+0,07% em relação ao 2T25).
Apesar de manter uma base de tráfego absoluto substancialmente maior do que a Europa Oriental, a Europa Ocidental não contribuiu significativamente para o crescimento trimestral da Europa. Ainda assim, dentro do trimestre, a sub-região absorveu a maior parte da queda de tráfego da Europa.
As visitas caíram de 15,99 milhões em julho para 13,14 milhões em setembro, uma perda de 2,85 milhões de visitas (-17,80%). Esse contraste (totais trimestrais estáveis ao lado de uma acentuada erosão intratrimestral) destaca uma região onde a escala mascara a volatilidade contínua.
| Região | Tráfego 2T25 | Tráfego 3T25 | Diferença trimestral (T/T) | Diferença no período 3T25 |
| Europa Oriental | 20,61 milhões | 23,13 milhões | 2,52 milhões (+12,23% vs 2T25) | -269,8 mil visitas (-3,44%) |
| Europa Ocidental | 44,35 milhões | 44,38 milhões | 32,7 mil visitas (+0,07% vs 2T25) | -2,85 milhões de visitas (-17,80%) |
| Total | 64,96 milhões | 67,51 milhões | 2,55 milhões (+3,93% vs 2T25) | -3,11 milhões de visitas (-13,07%) |
Mídia tradicional: Escala absorvendo o impacto
Observando os veículos de comunicação tradicionais com cobertura consistente sobre criptomoedas, eles continuaram operarando em uma escala muito maior:
- Tráfego total no 3º trimestre: 1,14 bilhão de visitas
- Variação no 3º trimestre: -12,62 milhões (-3,29%)
Apenas 32,30% das publicações tradicionais registraram crescimento. Enquanto isso, 67,70% apresentaram queda ou estabilidade, refletindo a erosão inerente ao universo das criptomoedas, porém em um ritmo proporcional muito mais lento. Regionalmente:
- Mídia tradicional da Europa Oriental: 850,19 milhões de visitas (-44,30 milhões em comparação com o 2º trimestre)
- Mídia tradicional da Europa Ocidental: 287,66 milhões de visitas (-22,23 milhões em comparação com o 2º trimestre)
O terceiro trimestre de 2025 confirma que a dinâmica do tráfego nativo de criptomoedas na Europa não é mais definida por uma contração ou recuperação uniforme.
O crescimento agregado em relação ao trimestre anterior coexistiu com um declínio contínuo dentro do trimestre, revelando um mercado em transição, e não em recuperação.
A Europa Oriental foi responsável por todo o crescimento trimestral da Europa e apresentou relativa estabilização dentro do trimestre, enquanto a Europa Ocidental permaneceu estável em termos trimestrais, mas absorveu a maior parte do declínio mensal.
Ao mesmo tempo, a mídia tradicional manteve a resiliência impulsionada pela escala, apesar da queda nos volumes, ressaltando a crescente lacuna entre a proteção baseada em escala e a exposição dependente da descoberta no ecossistema de mídia cripto da Europa.
Tráfego das mídias cripto na Europa concentra-se em cinco mercados principais
Durante o terceiro trimestre de 2025, cinco regiões se destacaram devido a grande audiência que conquistaram: França, Holanda, Alemanha, Rússia e Polônia.
- A França liderou a Europa com 12,04 milhões de visitas, representando 17,84% do tráfego total nativo de criptomoedas – refletindo uma forte visibilidade impulsionada por buscas em grandes veículos de comunicação voltados para finanças e tecnologia.
- A Holanda ficou em segundo lugar com 10,65 milhões de visitas (15,78%), impulsionada por uma concentração de veículos de comunicação de médio a grande porte otimizados para descoberta orgânica e por agregadores.
- A Alemanha ficou em terceiro lugar com 9,61 milhões de visitas (14,23%), apoiada por veículos de mídia cripto estabelecidos e focados em conformidade, além de uma forte cobertura contínua.
- A Rússia permaneceu como a maior contribuinte da Europa Oriental, gerando 8,44 milhões de visitas (12,50%) – ressaltando o domínio contínuo de leitores nativos de criptomoedas, motivados por fidelidade, apesar das restrições regulatórias.
- A Polônia ficou próxima com 7,63 milhões de visitas (11,30%), impulsionada principalmente por veículos de comunicação nacionais dominantes e uma estrutura de mídia de primeira linha altamente concentrada.

Canais de acesso explicam porque o tráfego nativo de criptomoedas é mais volátil
No terceiro trimestre de 2025, a composição das fontes de tráfego revela porque os veículos de mídia nativos de criptomoedas experimentam oscilações de visibilidade mais acentuadas do que os veículos tradicionais.
Para as mídias cripto, a descoberta permanece concentrada em uma área específica. A busca orgânica gerou 31,27 milhões de visitas (46,32%), tornando-se a maior fonte de tráfego individual, enquanto o tráfego direto representou 28,43 milhões de visitas (42,11%), refletindo uma base significativa, porém limitada, de leitores fiéis.
Juntos, esses dois canais dominam o alcance nativo das criptomoedas, deixando pouca proteção estrutural em outros lugares.
O tráfego de referência (referral traffic) permaneceu modesto em 5,79%, as redes sociais contribuíram com 4,90% e o tráfego pago foi insignificante em 0,05%, ressaltando a dependência do setor em relação à visibilidade orgânica e ao acesso habitual.
A mídia tradicional, por outro lado, opera dentro de um sistema de descoberta muito mais diversificado. O tráfego direto liderou com 47,28%, seguido pela busca orgânica com 35,78%, enquanto as referências desempenharam um papel substancialmente maior, contribuindo com 12,52% do total de visitas.
Essa combinação mais ampla de canais permite que os veículos tradicionais absorvam choques de busca ou de plataforma sem sofrer a mesma volatilidade proporcional.

“Na Europa, os meios de comunicação especializados em criptomoedas continuam com limitações de descoberta, dependendo fortemente de buscas orgânicas e canais de fidelização direta, com pouca redundância em fontes de referência ou pagas. Essa limitação estrutural amplifica o impacto das mudanças algorítmicas e das novas camadas de descoberta, como a GenAI, causando oscilações percentuais mais acentuadas no tráfego, mesmo em meio a modestas quedas absolutas“. Outset PR.
Esse padrão reflete as descobertas da Ásia no segundo trimestre de 2025, onde os veículos de comunicação especializados em criptomoedas também dependiam de tráfego direto e de busca, e onde os principais veículos combinavam fidelização e visibilidade algorítmica para manter o alcance.
Método e escopo: O que foi medido, com e por quê?
A pesquisa faz uso de estimativas de tráfego disponíveis publicamente via SimilarWeb. Em seguida, a agência Outset PR fez a organização dos dados e, posteriormente, a análise para chegar aos resultados do relatório.
De acordo com a Outset, houve a coleta de dados de 293 veículos de comunicação especializados em criptomoedas e veículos de comunicação da Europa Oriental e Ocidental, abrangendo tanto publicações especializadas em criptomoedas quanto mídias tradicionais/não especializadas em criptomoedas com cobertura consistente do tema. Em síntese:
| Veículos de comunicação especializados em criptomoedas | Veículos de comunicação tradicionais/não especializados em criptomoedas | |
| Europa Oriental | 109 | 43 |
| Europa Ocidental | 91 | 50 |
| Total | 200 | 93 |
“O estudo se concentra no terceiro trimestre de 2025 (julho a setembro) para avaliar como o cenário da mídia cripto na Europa está se ajustando à volatilidade pós-busca, à descoberta impulsionada pela IA de última geração e ao aumento da concentração por níveis de informação após as fortes contrações observadas no segundo trimestre“. Outset PR.
Além disso, para combinar de forma equilibrada o desempenho de crescimento e a qualidade do engajamento, o estudo utiliza a Pontuação Composta (Composite Score – CS) que integra ganhos absolutos de tráfego, crescimento relativo e qualidade do engajamento em uma única métrica padronizada.
A estrutura de ponderação permanece consistente com os relatórios anteriores para garantir a comparabilidade entre regiões e trimestres, ao mesmo tempo que permite ajustes futuros conforme a dinâmica de descoberta evolui.
Por fim, veículos com tráfego médio mensal inferior a 10 mil no início do período foram excluídos do ranking composto.
Confira os dados completos e saiba mais
O relatório é a mais recente edição da série Outset Data Pulse, que acompanha as mudanças estruturais dentro dos ecossistemas regionais de mídia cripto ao longo do tempo.
Confira os dados completos desse relatório no blog da Outset PR
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Publicado pela Outset PR – agência de relações públicas especializada em startups dos segmentos cripto e blockchain | Powered by SimilarWeb e Ahrefs