
- XP deixou de priorizar investidores com menos de R$ 300 mil aplicados
- A empresa perdeu dezenas de bilhões em recursos desse público
- Novo modelo será automatizado, com robôs cuidando das carteiras menores
A XP Investimentos começou a perder parte dos investidores com menos dinheiro aplicado — e isso não aconteceu por acaso. Nos últimos dois anos, a corretora encolheu justamente no público com patrimônio abaixo de R$ 300 mil, segmento que foi a base de crescimento da empresa por mais de uma década.
Por trás disso, existe uma mudança profunda no modelo de negócios: a companhia deixou de priorizar a captação massiva de pequenos clientes e passou a focar rentabilidade, produtividade dos assessores e clientes mais ricos.
A mudança que poucos perceberam
O próprio alto escalão da XP admitiu que esse tipo de investidor se tornou difícil de atender dentro do modelo atual. A empresa perdeu cerca de 200 pontos-base de market share no varejo de menor patrimônio nos últimos 24 meses.
Além disso, a perda acumulada de recursos nesse público chegou a algo entre R$ 40 bilhões e R$ 48 bilhões em dois anos.
Na prática, a corretora concluiu que não conseguia prestar serviço personalizado de forma lucrativa para investidores pequenos — algo comum em plataformas baseadas em assessoria humana.
O novo plano da XP
Para resolver isso, a empresa está testando uma nova plataforma automatizada, uma espécie de “robô-advisor” inspirada no modelo da americana Charles Schwab.
A ideia é simples: em vez de assessor humano para todos, algoritmos fazem a alocação automática de carteira — reduzindo custo e permitindo voltar a atender esse público.
Ao mesmo tempo, a estratégia da XP mudou. O foco agora é reter e monetizar melhor a base existente, e não mais crescer a qualquer custo captando novos investidores.
Esse movimento explica por que muitos clientes menores migraram para bancos tradicionais e plataformas mais simples.
O impacto para o mercado
A decisão revela uma transformação maior: o mercado de investimentos brasileiro está ficando segmentado.
- clientes ricos → assessoria personalizada
- classe média investidora → plataformas automatizadas
- pequenos investidores → apps bancários
A própria XP viu sair cerca de R$ 3 bilhões de pequenas e médias empresas, que buscaram bancos com oferta de crédito junto com investimentos.