
- Powell abriu espaço para corte de juros em setembro, mas reforçou cautela diante da inflação.
- Casa Branca pressiona por cortes imediatos e chegou a cobrar a renúncia do chair do Fed.
- Decisão final deve depender dos dados de emprego e inflação a serem divulgados em agosto.
O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, sinalizou nesta sexta-feira (22) que a instituição pode cortar juros já na reunião de setembro. Apesar disso, ele evitou se comprometer com uma decisão imediata.
Durante discurso em Jackson Hole, Powell admitiu que o mercado de trabalho mostra sinais de enfraquecimento e que os riscos para o emprego aumentaram. Ao mesmo tempo, reforçou que tarifas ainda podem gerar pressões inflacionárias persistentes.
Riscos no radar
Powell descreveu a situação como um “equilíbrio curioso” no mercado de trabalho. Segundo ele, tanto a oferta quanto a demanda por trabalhadores perderam força, o que pode levar a quedas rápidas no emprego caso a tendência se agrave.
Apesar da preocupação com a desaceleração, o chair lembrou que tarifas podem provocar aumentos de preços mais duradouros. Nesse cenário, o Fed precisa agir com cautela para não acelerar cortes e reacender a inflação.
Ainda assim, Powell afirmou que, com a política monetária em território restritivo, o novo equilíbrio de riscos pode justificar ajustes já nos próximos meses.
Pressão política
A fala de Powell chega em meio a forte pressão da Casa Branca. O presidente Donald Trump voltou a pedir cortes imediatos, alegando que não há risco inflacionário. Ele também intensificou críticas, cobrando a renúncia de Powell e de outros membros do Fed.
Powell, no entanto, reiterou que cumprirá seu mandato até o fim, em maio. Ele não pode ser removido apenas por divergências sobre juros, o que limita a pressão do governo.
Além disso, o chair anunciou uma nova estrutura estratégica, reforçando que o mandato de pleno emprego depende da manutenção da estabilidade de preços.
Próximos passos
O Fed mantém os juros na faixa de 4,25% a 4,50% desde dezembro. Parte da diretoria, como Christopher Waller, defende cortes já neste ano para proteger um mercado de trabalho em desaceleração.
As próximas semanas serão decisivas. Relatórios de emprego e inflação em agosto devem pesar fortemente na decisão da reunião de 16 e 17 de setembro.
Em junho, as projeções do próprio Fed já previam dois cortes de 0,25 ponto percentual em 2025, mas o ritmo dependerá da leitura dos dados mais recentes.