
O setor de apostas esportivas e jogos de cassino online encerrou 2025 com receita bruta de R$ 37 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda.
O resultado consolida a relevância econômica do segmento no primeiro ano completo após a entrada em vigor da regulamentação, em janeiro de 2025, e amplia as análises sobre o perfil e o comportamento dos apostadores no país.
O avanço do mercado ocorre em paralelo a estudos que buscam compreender como as apostas se inserem no orçamento dos brasileiros.
Um levantamento da klavi, fintech de inteligência financeira via Open Finance, analisou dados de 6,8 milhões de pessoas e identificou diferentes padrões de uso.
Segundo a pesquisa, 53,6% da base analisada realizou ao menos uma aposta nos últimos 12 meses, o que representa cerca de 3,7 milhões de usuários e indica expansão significativa em relação ao ano anterior.
A análise considera informações financeiras compartilhadas com consentimento, como renda, gastos e frequência de apostas.
A partir desses dados, a klavi desenvolveu um indicador para mapear níveis distintos de exposição, mostrando que a maior parte dos usuários mantém um comportamento classificado como sem risco relevante, enquanto uma parcela menor apresenta padrões que demandam maior atenção do ponto de vista financeiro.
Gastos e padrões de consumo em cassinos online
Os dados do estudo indicam que 69,3% dos apostadores não apresentam sinais de comprometimento financeiro associados às apostas. Outros grupos são classificados em níveis baixo, moderado ou elevado, o que, segundo os pesquisadores, permite acompanhar a evolução do comportamento ao longo do tempo e identificar perfis distintos de consumo.
Informações divulgadas pelo cassino da bet KTO reforçam a leitura de que o gasto médio tende a ser controlado para a maioria de seus usuários.
A pesquisa interna da plataforma aponta que mais de 60% dos apostadores gastam até R$ 100 por mês, enquanto apenas uma parcela reduzida realiza despesas superiores a esse valor.
O levantamento também mostra que o valor médio das apostas permanece baixo e que cerca de 90% dos depósitos são feitos em quantias inferiores a R$ 100, indicando preferência por transações de menor valor.
Esse padrão é interpretado pelo setor como um indicativo de uso recreativo predominante. A mesma pesquisa aponta ainda que grande parte dos usuários mantém fidelidade às plataformas, com baixa frequência de troca entre operadoras, o que sugere estabilidade na relação com as marcas.
Perfil etário e regional
O estudo da klavi mostra variações de comportamento conforme a faixa etária e a região. Entre os mais jovens, especialmente de 18 a 34 anos, há maior concentração de usuários nas regiões Sudeste e Nordeste.
Nas faixas etárias mais elevadas, o padrão de apostas tende a ser mais estável, com menor frequência e menor impacto proporcional sobre o orçamento, embora diferenças entre classes sociais permaneçam.
Segundo Bruno Chan, CEO e cofundador da klavi, a leitura dos dados permite compreender melhor como as apostas se encaixam na vida financeira dos usuários.
Para ele, o acesso a informações em tempo real possibilita ações preventivas e educativas, contribuindo para que o uso das plataformas ocorra de forma equilibrada.
Regulação e ambiente institucional
Do lado do poder público, a arrecadação bilionária reforça o peso do setor regulado na economia.
A SPA informou que, além da receita bruta das apostas, houve arrecadação com outorgas e taxas de fiscalização, recursos destinados conforme previsto em lei. O órgão também destacou o bloqueio de mais de 25 mil sites ilegais, em cooperação com a Anatel, e a autorização de 79 operadoras para atuar legalmente no país.
Especialistas em direito regulatório avaliam que a divulgação desses dados contribui para maior transparência e fiscalização. Além disso, outros projetos de prevenção continuam em trâmite, como a lei que pretende limitar o gasto mensal em cassinos por isentos do INSS.
A percepção é que um ambiente regulado favorece a concorrência, amplia a proteção ao consumidor e cria condições para o desenvolvimento sustentável do mercado.