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As ações derreteram desde o IPO, e é por isso que você deve apostar na C&A

Foto/Reprodução GDI
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  • Os analistas da XP Investimentos elaboraram um novo preço-alvo para as ações da C&A;
  • A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 3,50. Mas que ainda apresenta prêmio sobre a cotação atual dos papéis.

O mercado de IPOs não foi nem um pouco generoso com as novas companhias que entraram na bolsa de valores nos últimos tempos. Um mercado “frio” foi um diferencial para grandes companhias não conseguirem se firmar no mercado de capitais brasileiros, e grande parte das ações que realizaram suas ofertas públicas não anotaram grandes valorizações, e a C&A não foi diferente.

Atualmente, as ações da C&A (CEAB3) estão valendo apenas 14% do que valia no IPO – R$ 703 milhões no fechamento de ontem – a XP manteve uma recomendação ‘neutra’ para a ação e reduziu o preço-alvo em 56%, para R$ 3,50.

Apesar do aparente cenário pessimista, a corretora ainda aposta em um cenário de alta: o papel fechou ontem a R$ 2,28.

Os analistas justificaram o corte pelo aumento do custo de capital de 12,6% para 14,4% num cenário macro mais complexo. No preço de hoje, a XP diz que a ação negocia a 1,7x EV/EBITDA para 2022 e 2,9x para 2023. A companhia deve dar prejuízo este ano e no próximo – R$ 118 milhões e R$ 147 milhões, respectivamente.
Depois de uma conversa com o vp de operações da C&A, Fernando Brossi; o diretor de expansão, Ciro Neto; e o CFO Milton Lucato, a analista Danniela Eiger disse que a empresa vê um cenário macro desafiador porque o consumidor está mais fragilizado.

Apesar disso, os executivos disseram que as vendas estão crescendo dentro do esperado – eles esperam alguma desaceleração no segundo semestre, mas estão ‘confortáveis’ com um crescimento de 20% este ano na comparação com 2019.

Segundo a XP, a C&A está sendo mais racional com seus investimentos, desacelerando a abertura de lojas no curto prazo – de 25 inaugurações para entre 15 e 20. A empresa também está renegociando aluguéis. Com isso, o investimento este ano deve ficar mais próximo de R$ 400 milhões, ante uma expectativa inicial de R$ 500 milhões. Por outro lado, os executivos disseram que o C&A Pay (a financeira do grupo, lançada em dezembro), a venda por Whatsapp, o Minha C&A (que permite a clientes revender produtos da marca) e a categoria de cosméticos estão mostrando resultados promissores.

O C&A Pay está acelerando mais rápido que o esperado, com os detentores do cartão comprando até 50% mais que os outros, gastando um tíquete médio cerca de 20% maior e mostrando taxas de recompra mais altas.

O cartão vem sendo uma alavanca importante na captação de novos clientes e a inadimplência está sob controle, a C&A disse à XP. Segundo os executivos, o Whatsapp já representa perto de 50% das vendas digitais e cerca de 10% das vendas das lojas.

O aplicativo direciona o tráfego para as lojas, já que a maior parte das vendas é concluída fisicamente. Também melhora a eficiência dos funcionários, já que adiciona um “suporte semi-assistido” pois os clientes podem pedir ajuda através de QR codes espalhados pelas lojas, o que contribui para um tíquete médio 2x acima da média.