
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) agora são oficialmente considerados grupos terroristas na Argentina e no Paraguai, em uma decisão que intensifica a pressão sobre o Brasil. Mesmo diante da escalada do crime organizado na fronteira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por não seguir o mesmo caminho.
A escolha do governo brasileiro reacende o debate interno sobre a Lei Antiterrorismo e evidencia o contraste entre as políticas de segurança do país e de seus vizinhos. Enquanto Buenos Aires e Assunção falam em “narcoterrorismo”, Brasília mantém o enquadramento de facções como organizações criminosas, evitando a classificação ideológica.
Argentina e Paraguai apertam o cerco
A Argentina oficializou a designação de PCC e CV como organizações terroristas, classificando-as como “narcoterroristas”. A medida foi anunciada pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich, após operações contra criminosos brasileiros em território argentino. Segundo ela, há ao menos cinco integrantes do CV e até oito do PCC presos no país.
No Paraguai, o governo seguiu a mesma linha e prometeu declarar formalmente as facções como grupos terroristas. O movimento é visto como resposta à crescente influência dessas organizações nas regiões de fronteira, especialmente em Ciudad del Este e no Alto Paraná, áreas críticas para o tráfico de drogas e armas.
A classificação regional reforça a intenção dos países de intensificar a cooperação policial e endurecer as sanções contra líderes e membros das facções. A medida também abre caminho para bloqueio de ativos e ampliação da vigilância nas fronteiras com o Brasil.
Governo Lula evita a palavra “terrorismo”
Enquanto vizinhos adotam posturas mais duras, o governo Lula mantém posição contrária à rotulagem de PCC e CV como grupos terroristas. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, as facções “não atuam em defesa de uma causa política, religiosa ou ideológica”, requisito previsto na legislação brasileira (Lei 13.260/2016).
Além disso, o Itamaraty atuou para retirar de acordos trilaterais com Argentina e Paraguai qualquer menção à palavra “terrorismo” em referência às facções. A justificativa seria evitar impactos diplomáticos e preservar a autonomia jurídica brasileira sobre o tema.
Críticos, porém, afirmam que o governo adota uma postura leniente diante do avanço das facções na América do Sul. Especialistas em segurança apontam que a classificação como terrorista facilitaria cooperação internacional e sanções financeiras, atingindo as estruturas de poder das organizações.
Debate sobre segurança ganha força
A decisão de Lula reacende um debate político e jurídico no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição defendem mudanças na Lei Antiterrorismo para permitir o enquadramento de facções como grupos paramilitares e terroristas. Já aliados do governo argumentam que a legislação atual é suficiente e que o foco deve estar em reforçar as operações de inteligência e fronteira.
Nos bastidores, agentes de segurança afirmam que a pressão da Argentina e do Paraguai pode forçar o Brasil a rever sua posição. A cooperação regional tende a se tornar um ponto-chave para conter o avanço do crime organizado, que já atua em pelo menos cinco países sul-americanos.
Enquanto isso, cresce a percepção de que o Brasil corre o risco de se tornar um elo vulnerável na política de segurança continental — especialmente se continuar resistindo a adotar a mesma classificação usada pelos vizinhos.
Resumo final:
- Argentina e Paraguai declararam PCC e CV como grupos terroristas.
- Governo Lula mantém postura contrária, alegando falta de motivação ideológica.
- Especialistas alertam que o Brasil pode se isolar no combate regional ao crime organizado.