
- Desmotivação afeta 61% dos trabalhadores e custa até R$ 77 bilhões ao ano.
- Lideranças sofrem com fadiga e ansiedade, ampliando o desengajamento das equipes.
- Empresas precisam investir em propósito e autonomia para reter talentos e manter produtividade.
Apesar do recorde de ocupação e da melhora na renda média do brasileiro, um novo levantamento revela um problema crescente nas empresas: o desengajamento profissional. Segundo o índice Engaja S/A, elaborado pela Flash em parceria com a FGV EAESP, 61% dos trabalhadores se consideram desmotivados com o trabalho.
O estudo estima que essa falta de engajamento pode gerar um custo anual de até R$ 77 bilhões, o equivalente a 0,66% do PIB nacional, considerando perdas de produtividade, rotatividade e presenteísmo, quando o funcionário está presente, mas produz menos.
Renda em alta, motivação em queda
A pesquisa mostra um paradoxo no mercado de trabalho brasileiro. Mesmo com salários mais altos e quase pleno emprego, o índice de engajamento atingiu o menor nível em três anos.
O estudo sugere que o “contrato psicológico” entre empresas e profissionais se rompeu, criando um distanciamento entre expectativas individuais e o que as organizações oferecem.
Para os autores, o significado do trabalho e o senso de propósito são hoje mais determinantes para a motivação do que a remuneração em si. Fatores como baixa autonomia, falta de flexibilidade e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional estão entre os principais gatilhos da desmotivação.
“Há um desalinhamento crescente entre o que os trabalhadores buscam e o que as empresas oferecem”, explica Renato Souza, professor da FGV EAESP. “Remuneração e benefícios não bastam; é preciso propósito, reconhecimento e espaço para evolução.”
Lideranças exaustas ampliam o problema
O levantamento também mostra que a desmotivação atinge com força as lideranças. Em 2025, esse grupo apresentou a maior queda de engajamento entre todos os níveis hierárquicos, o que pode gerar um efeito cascata nas equipes.
Cerca de 78% dos executivos e gestores relatam sintomas de ansiedade, enquanto 74% enfrentam fadiga e insônia. Além disso, segundo o estudo, líderes desmotivados têm mais dificuldade em inspirar e engajar seus times, o que agrava o ciclo de queda na produtividade.
Além disso, o presenteísmo já representa perdas diretas de R$ 6 bilhões, considerando horas improdutivas e impacto sobre entregas e metas. “Quem deveria sustentar a motivação dos demais corre o risco de colapsar”, alertam os autores do estudo.
Engajamento virou vantagem competitiva
Com o mercado aquecido e salários nivelados, reter talentos depende cada vez mais de propósito, autonomia e reconhecimento.
A pesquisa mostra que benefícios flexíveis e ambientes diversos estão entre os fatores que mais engajam os profissionais, enquanto mobilidade interna, bônus e tempo para projetos pessoais seguem entre os piores avaliados.
Ademais, para os analistas, as empresas precisarão “ressignificar” sua relação com o trabalho. Logo, isso inclui cuidar da liderança, repensar modelos engessados de gestão e criar políticas que priorizem equilíbrio emocional e desenvolvimento humano.
“O engajamento virou uma alavanca competitiva. As companhias que entenderem isso antes vão atrair e manter os melhores talentos”, conclui Souza.