Ameaça a indústria?

BYD pode ser responsável por milhares de demissões no Brasil: entenda

Anfavea alerta que fim da isenção fiscal para montagem simplificada da chinesa ameaça 69 mil vagas diretas e 227 mil indiretas na indústria automotiva

BYD
Crédito: Depositphotos

A indústria automotiva brasileira vive um momento de tensão crescente. A gigante chinesa BYD, líder em vendas de carros elétricos no país, está no centro de uma polêmica que pode impactar dezenas de milhares de empregos. De acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que representa montadoras tradicionais como Volkswagen, General Motors, Stellantis e Toyota, a renovação de uma isenção fiscal que beneficia o modelo de operação da BYD poderia levar a até 69 mil demissões diretas e afetar 227 mil postos indiretos na cadeia produtiva.

O que está em jogo?

Tudo gira em torno da isenção de imposto de importação para veículos eletrificados (elétricos e híbridos) importados no regime CKD (completamente desmontado) ou SKD (semi-desmontado). Nesse sistema, as peças chegam da China em kits e são montados no Brasil com mínima industrialização local — exatamente o modelo adotado pela BYD em sua fábrica de Camaçari (BA), inaugurada em outubro de 2025.

Essa isenção temporária, concedida pela Camex (Câmara de Comércio Exterior) em julho de 2025, criou uma cota de US$ 463 milhões com alíquota zero por seis meses, válida até 31 de janeiro de 2026. Após esse prazo, a cobrança plena (alíquota de até 35%) estava prevista para julho de 2026 (antecipada de 2028). Agora, às vésperas do fim do benefício, a Anfavea pressiona o governo federal para não renovar a isenção, alegando que ela representa concorrência desleal e ameaça a indústria nacional.

Os argumentos da Anfavea

Em nota divulgada em 19 de janeiro de 2026, a entidade alerta que incentivos a esse modelo simplificado poderiam:

  • Eliminar 69 mil empregos diretos na produção local.
  • Impactar 227 mil vagas indiretas (fornecedores, logística, serviços).
  • Gerar perdas econômicas bilionárias — em cenários extremos, até R$ 103 bilhões em arrecadação e compras no setor de autopeças, segundo estudos da associação.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, argumenta:

“As empresas conseguiriam se adaptar adotando um modelo simplificado de produção, mas o problema seria relevante para a cadeia como um todo: perderiam as empresas fornecedoras, os trabalhadores, a engenharia nacional, a academia e o poder público. Ou seja, a sociedade brasileira inteira”.

A crítica principal é que o modelo SKD da BYD gera poucos empregos e valor agregado no Brasil, transferindo a maior parte da produção (e dos benefícios) para a China, enquanto montadoras tradicionais investem em fábricas com maior nacionalização e cadeia de fornecedores local.

A posição da BYD e o contexto

A BYD não se pronunciou diretamente sobre a pressão recente, mas defende que incentivos como esse ajudam a popularizar os carros elétricos no Brasil, onde os preços ainda são elevados. A empresa planeja aumentar a nacionalização de componentes ao longo de 2026, migrando gradualmente do SKD para processos mais complexos.

Outras montadoras chinesas, como GWM, também se beneficiaram da cota, mas não pediram prorrogação. Há articulações nos bastidores, inclusive com influência do ministro Rui Costa, favoráveis à continuidade do benefício para atrair investimentos — mas a Anfavea vê nisso um risco de desindustrialização acelerada.

O que pode acontecer agora?

O prazo da isenção termina em poucos dias (31/01/2026). Se não for renovada, a BYD e outras que usam o regime enfrentarão custos maiores, o que pode elevar preços de elétricos e híbridos no mercado brasileiro. Por outro lado, montadoras tradicionais celebram a possibilidade de maior previsibilidade e proteção à indústria local.

Fernando Américo
Fernando Américo

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.