
A EQI Research divulgou nesta quarta-feira (21) seu update mensal sobre o mercado de renda fixa, destacando o retorno da volatilidade e dos riscos ao foco dos investidores.
O relatório, assinado pelo analista João Neves, CNPI, analisa o desempenho das carteiras recomendadas, indicadores econômicos e tendências para o restante do ano. Apesar de um desempenho mensal inferior ao CDI e ao IMA-Geral, as carteiras acumulam retornos positivos nos últimos 12 meses, superando os benchmarks.
Desempenho das Carteiras Recomendadas
| Perfil | No Mês | % do CDI | Acumulado | % do CDI |
|---|---|---|---|---|
| Conservador | 0,26% | 43,03% | 19,03% | 89,94% |
| Moderado | 0,12% | 18,99% | 17,46% | 82,50% |
| Agressivo | 0,01% | 2,44% | 16,77% | 79,28% |
| IMA-Geral | 0,26% | 43,20% | 18,30% | 86,47% |
| CDI | 0,61% | – | 21,16% | – |
Fonte: Economática e EQI Research
No mês de janeiro, as carteiras recomendadas pela EQI Research apresentaram resultados abaixo dos principais indicadores de referência. O perfil Conservador registrou alta de 0,26%, equivalente a 43,03% do CDI. Já o Moderado avançou 0,12% (18,99% do CDI), e o Agressivo teve ganho de apenas 0,01% (2,44% do CDI). Em comparação, o IMA-Geral subiu 0,26% (43,20% do CDI), enquanto o CDI acumulou 0,61%.
No acumulado dos últimos 12 meses, no entanto, o cenário é mais positivo. O Conservador acumula 19,03% (89,94% do CDI), o Moderado 17,46% (82,50% do CDI) e o Agressivo 16,77% (79,28% do CDI). O IMA-Geral registra 18,30% (86,47% do CDI), e o CDI soma 21,16%.
O relatório atribui o desempenho mensal inferior ao aumento dos prêmios de risco nos ativos de renda fixa, especialmente aqueles com maior duration, impactados pela abertura da curva de juros.
Resumo Mensal e Cenário Econômico
A curva de juros futuros no Brasil mostrou leve alta nos vencimentos mais longos em janeiro, influenciada por movimentos internacionais, aumento do prêmio de risco doméstico e incertezas fiscais relacionadas ao processo eleitoral. No exterior, os juros subiram expressivamente, com destaque para o título japonês de 10 anos, que atingiu os níveis mais altos desde 1997.
Para o restante de 2026, a EQI Research prevê um ambiente mais volátil, com pressão fiscal como fator chave, especialmente nos vértices longos da curva. No curto prazo, porém, o cenário é construtivo, com arrefecimento da inflação e moderação no crescimento econômico, pavimentando o caminho para cortes na Selic a partir da segunda reunião do Copom.
Entre os dados mensais destacados:
- IPCA de dezembro: Alta de 0,33%, abaixo da expectativa de 0,35%, com acumulado em 12 meses recuando para 4,26%.
- IBC-Br de novembro: Alta de 0,70%, indicando resiliência econômica.
- Taxa de desemprego em novembro: 5,2%, o menor nível da série histórica do IBGE.
- CAGED de novembro: Criação de 85,8 mil vagas formais, acima das expectativas, mas o pior resultado para o mês na série.
- Dívida bruta em novembro: 79,0% do PIB, alta de 0,6 p.p. no mês.
Títulos Públicos
O IMA-Geral apresentou desempenho inferior ao CDI em janeiro, com alta de 0,3% (43,2% do CDI). Os títulos prefixados (IRF-M) tiveram o melhor resultado, com ganho de 0,4% (73,5% do CDI). Já os indexados ao IPCA foram o destaque negativo: IMA-B caiu 0,7% (-120,7% do CDI), IMA-B 5+ recuou 1,4% (-237,3% do CDI), enquanto IMA-B 5 subiu 0,2% (27,6% do CDI).
No acumulado, o IRF-M lidera com 19,3% (91,4% do CDI), seguido pelo IMA-Geral com 18,3% (86,5% do CDI).
| Índice | Mês | % do CDI | Acumulado | % do CDI |
|---|---|---|---|---|
| IMA-B | -0,7% | -120,7% | 11,2% | 53,2% |
| IMA-B 5 | 0,2% | 27,6% | 15,2% | 71,6% |
| IMA-B 5+ | -1,4% | -237,3% | 8,9% | 42,1% |
| IRF-M | 0,4% | 73,5% | 19,3% | 91,4% |
| IMA-Geral | 0,3% | 43,2% | 18,3% | 86,5% |
Fonte: Economática e EQI Research
Crédito Privado
Após correções em novembro e dezembro, os spreads de crédito recuaram em janeiro, especialmente nos títulos indexados ao CDI. No entanto, permanecem acima dos níveis pré-estresse, embora em patamares historicamente baixos. A EQI Research alerta para cautela, dado o arrefecimento econômico e o aumento de empresas com dificuldades financeiras.