
- ENA projetada entre 60% e 70% da média histórica pressiona o sistema elétrico
- Maior despacho térmico favorece a Eneva (ENEV3) e reforça previsibilidade de receitas
- Bandeiras tarifárias mais caras podem elevar contas de luz em até 15%
A chuva abaixo da média histórica nas principais bacias do país voltou a acender um alerta no setor elétrico e abriu espaço para maior acionamento de termelétricas em 2026. Com forte exposição a esse tipo de geração, a Eneva (ENEV3) aparece entre as empresas mais beneficiadas pelo novo cenário climático.
Dados do setor indicam que a Energia Natural Afluente (ENA) pode iniciar o ano em torno de 60% a 70% da média de longo termo, um dos níveis mais baixos para o período em décadas. Com menos água chegando aos reservatórios, o sistema tende a recorrer a fontes térmicas para garantir a oferta.
Reservatórios sob pressão
Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste — responsáveis por cerca de 70% da capacidade de armazenamento do país — operam com níveis inferiores ao observado no mesmo período do ano passado.
Em cenários semelhantes, o Operador Nacional do Sistema (ONS) historicamente aumenta o despacho de térmicas para preservar água, elevando o custo marginal de operação do sistema elétrico.
Esse ambiente favorece empresas como a Eneva, que possui capacidade instalada térmica relevante e contratos que garantem remuneração adicional em períodos de maior despacho.
Tarifas mais altas entram no radar
O maior uso de termelétricas tende a pressionar as tarifas de energia. Em situações de estresse hídrico, o sistema pode acionar bandeiras tarifárias mais caras, como a bandeira vermelha patamar 2, que adiciona R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos.
Estimativas do mercado apontam que, caso a seca persista, o impacto médio na conta de luz pode chegar a 10% a 15% em determinados meses, efeito que ainda não está totalmente refletido nas projeções econômicas.
Esse movimento melhora a dinâmica de receitas das geradoras térmicas, reforçando a atratividade de empresas com esse perfil operacional.
Eneva (ENEV3) no centro da tese
A Eneva (ENEV3) combina geração térmica com contratos de longo prazo e exposição direta ao despacho do sistema, o que aumenta sua previsibilidade de caixa em momentos de estresse hidrológico.
Mesmo após uma valorização relevante nos últimos meses, analistas avaliam que o papel ainda pode se beneficiar caso a ENA permaneça abaixo de 80% da média histórica ao longo do ano.
Com risco climático elevado, o mercado tende a buscar ativos mais defensivos e geradores de caixa recorrente — características que sustentam a tese positiva para a Eneva no curto e médio prazo.