
- Suzano (SUZB3) vê real forte reduzir expectativa de lucro
- Risco de excesso de oferta preocupa mercado
- Política de retorno ao acionista gera cautela
As ações da Suzano (SUZB3) acumulam forte queda recente.
Desde o fim de fevereiro, o papel recuou cerca de 20%, ficando bem abaixo do Ibovespa.
Câmbio forte é o principal vilão
O principal fator por trás da queda é o real valorizado.
Segundo o Bradesco BBI, a moeda impacta diretamente os resultados.
Na prática, cada variação de US$ 0,10 no câmbio pode afetar o Ebitda em cerca de 3%.
Real forte pressiona exportadoras
Mesmo com tensões globais, o real se valorizou.
Esse movimento reduz a receita em reais de empresas exportadoras como a Suzano.
Assim, o mercado passou a revisar expectativas de lucro.
Hedge ameniza impacto
Por outro lado, a companhia está protegida.
A Suzano possui operações de hedge que devem gerar caixa adicional.
As estimativas apontam cerca de R$ 1,5 bilhão em 2026 e R$ 3,6 bilhões em 2027.
Oferta global também preocupa
Outro ponto no radar é o aumento da oferta de celulose.
Projetos na América Latina e expansão na China elevam o risco de excesso.
Portanto, esse cenário pode pressionar preços no médio prazo.
Falta de retorno ao acionista pesa
Investidores também olham para a política de capital.
Nesse sentido, a ausência de uma política clara de dividendos gera desconforto.
Além disso, recompras recentes foram limitadas.
Valuation já reflete riscos
Apesar da queda, o papel já embute parte dessas preocupações.
Ademais, a ação negocia próxima de 5x EV/Ebitda, abaixo da média histórica de 7x.
Ainda assim, o BBI mantém recomendação de compra.