Reestruturação

Raízen (RAIZ4) fecha acordo histórico de R$ 65 bilhões e acionistas podem perder controle da empresa

Plano de recuperação extrajudicial já reúne apoio de mais de 75% dos credores, prevê aporte da Shell e abre caminho para divisão da companhia em duas empresas.

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
  • Raízen (RAIZ4) protocolou recuperação extrajudicial envolvendo cerca de R$ 65 bilhões
  • Shell fará aporte de R$ 3,5 bilhões e credores receberão participação acionária
  • Companhia será dividida entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis até 2027

A Raízen (RAIZ4) deu um dos passos mais importantes de sua história ao protocolar seu plano de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. A proposta já conta com adesão de 75,45% dos credores, percentual suficiente para atender às exigências legais e avançar para a fase de homologação judicial.

Além disso, o plano prevê uma profunda transformação na estrutura da companhia. Enquanto a empresa busca reduzir sua alavancagem financeira, os atuais acionistas poderão ver uma diluição relevante de participação após a conversão de parte da dívida em ações.

Shell injeta R$ 3,5 bilhões na companhia

Entre os principais pilares da reestruturação está um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões que será realizado pela Shell, uma das controladoras da companhia.

Ao mesmo tempo, a Aguassanta Participações, veículo ligado à família de Rubens Ometto, poderá realizar um aporte adicional de R$ 500 milhões, fortalecendo ainda mais o caixa da empresa.

Com isso, a Raízen pretende reforçar sua liquidez, reduzir pressões financeiras de curto prazo e criar condições para estabilizar sua estrutura de capital.

Credores vão se tornar acionistas

O plano prevê a conversão de 45% dos créditos reestruturados em participação acionária, utilizando emissão de Units ao preço de R$ 0,50 por unidade.

Enquanto isso, os outros 55% da dívida serão renegociados por meio de novos instrumentos financeiros, refinanciamentos e emissões de dívida adaptadas à nova realidade da companhia.

Dessa forma, os credores passarão a ter uma participação significativa no capital da empresa, alterando de forma relevante a composição acionária da Raízen.

Raízen será dividida em duas empresas

Outro ponto que chamou atenção do mercado foi a confirmação da futura segregação dos negócios da companhia.

Até o fim de 2027, a empresa pretende criar a Raízen Energia, focada em etanol, açúcar e bioenergia, e a Raízen Combustíveis, dedicada à distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.

Segundo a companhia, a medida permitirá estruturas de capital independentes e uma alocação mais eficiente das dívidas, aumentando a previsibilidade financeira de cada operação.

Reestruturação mantém operação normal

A companhia ressaltou que a recuperação extrajudicial possui caráter exclusivamente financeiro e não afeta contratos com clientes, fornecedores, revendedores e parceiros comerciais.

Além disso, a atual administração será mantida durante a implementação do plano. O atual CFO, Lorival Luz, também assumirá a função de Chief Restructuring Officer (CRO), liderando a execução da reestruturação.

Agora, o processo seguirá para análise judicial. Caso seja homologado, poderá marcar uma das maiores reorganizações corporativas já realizadas no mercado brasileiro.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.