
- ANM recebeu 3.038 pedidos de pesquisa de terras raras desde 2023
- Apenas quatro servidores atuam na análise de minerais críticos
- Cortes orçamentários ameaçam a posição do Brasil na corrida global por terras raras
O Brasil tenta se posicionar como uma potência global em terras raras, minerais essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs e equipamentos de alta tecnologia. No entanto, a falta de estrutura da Agência Nacional de Mineração (ANM) ameaça essa ambição.
Desde 2023, a ANM recebeu 3.038 pedidos de pesquisa para terras raras, volume quatro vezes superior ao registrado entre 1975 e 2022, quando houve apenas 745 solicitações. Mesmo assim, apenas quatro servidores atuam diretamente na área de minerais críticos.
Oportunidade bilionária em risco
O Brasil possui algumas das maiores reservas de minerais críticos fora da China e vive uma corrida por novas áreas de exploração. Em 2025, os pedidos de pesquisa mineral ligados a esses recursos avançaram fortemente, refletindo o interesse crescente de investidores e governos estrangeiros.
Enquanto isso, o governo reduziu repasses para a ANM, que já opera com menos da metade do quadro considerado necessário para fiscalizar mais de 255 mil processos minerários ativos no país.
Mercado global acelera
A relevância das terras raras ficou ainda mais evidente após a venda da Serra Verde, em Goiás, para a americana USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões. A empresa opera a única produção comercial em larga escala de terras raras pesadas fora da Ásia.
Especialistas avaliam que, sem reforço orçamentário e técnico na ANM, o Brasil corre o risco de perder uma janela estratégica em um mercado cada vez mais disputado por Estados Unidos, Europa e China.