
- Shell espera que imposto sobre exportação de petróleo perca validade em julho
- Setor pretende manter ações judiciais contra a medida
- Empresa alerta para impactos na competitividade e nos investimentos do setor
A Shell afirmou que a indústria de petróleo espera que a medida provisória que criou o imposto sobre exportações de petróleo perca a validade no Congresso nas próximas semanas.
Segundo o presidente da companhia, Cristiano Pinto da Costa, a expectativa é que o tema seja encerrado em julho, permitindo que o setor deixe para trás uma discussão que gerou forte reação das petroleiras.
Indústria quer virar a página
De acordo com Costa, o possível arrefecimento das tensões no Oriente Médio pode reduzir os argumentos que sustentaram a criação da tributação extraordinária.
Além disso, ele destacou que todo o setor se mobilizou contra a medida, considerada prejudicial para a atratividade dos investimentos no país.
Mesmo que a MP perca validade, o executivo afirmou que as ações judiciais abertas pelas empresas deverão continuar tramitando para reforçar o posicionamento da indústria contra esse tipo de intervenção.
Shell alerta para impacto na competitividade
Durante participação no Energy Summit, Costa voltou a criticar a elevada carga tributária incidente sobre a produção nacional de petróleo.
Segundo ele, a cada três barris produzidos no Brasil, cerca de dois são destinados ao pagamento de tributos, royalties e participações especiais.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, a proporção seria significativamente menor, o que aumenta a competitividade dos produtores americanos.
Leilões são vistos como fundamentais
O executivo também defendeu a manutenção do calendário regular de leilões de blocos exploratórios.
Segundo a Shell, previsibilidade regulatória é essencial porque o desenvolvimento de um campo de petróleo pode levar entre sete e dez anos entre a aquisição da área e o início da produção.
Por isso, qualquer mudança nas regras ou aumento da insegurança regulatória tende a reduzir o interesse dos investidores e comprometer novos projetos no país.