
- SLC Agrícola (SLCE3) negocia com desconto próximo de 50% em relação ao valor de suas terras.
- Compra das fazendas da Radar aumentou dúvidas sobre alocação de capital e elevou a alavancagem.
- Commodities pressionadas e risco de El Niño mantêm o mercado cauteloso com a ação.
A SLC Agrícola (SLCE3) negocia com um desconto próximo de 50% em relação ao valor de suas terras, mas isso não tem sido suficiente para convencer investidores. Pelo contrário: desde o anúncio da compra de fazendas da Radar, as ações acumularam queda, refletindo dúvidas sobre a alocação de capital da companhia.
Embora a aquisição fortaleça o portfólio de ativos agrícolas, analistas avaliam que o aumento da alavancagem e a pressão sobre o fluxo de caixa limitam o potencial de valorização dos papéis no curto prazo.
Compra de fazendas divide analistas
A SLC exercerá seu direito de preferência para adquirir cerca de 28,8 mil hectares de terras da Radar por aproximadamente R$ 1,85 bilhão, pagando cerca de R$ 64 mil por hectare, valor inferior à média observada na região.
Apesar disso, o BTG Pactual questiona a decisão. Segundo o banco, como a própria SLC negocia na Bolsa por um valor inferior ao de suas terras, uma recompra de ações poderia gerar maior retorno para os acionistas do que a aquisição dos novos ativos.
Ao mesmo tempo, analistas reconhecem que a companhia corria o risco de perder uma de suas áreas mais produtivas caso não exercesse o direito de preferência, já que boa parte dessas terras já era arrendada pela própria empresa.
Alavancagem e commodities mantêm pressão sobre a tese
Além da compra, o mercado acompanha a piora esperada na alavancagem financeira. O Bradesco BBI estima que a relação dívida líquida/Ebitda poderá subir para cerca de 3,4 vezes, enquanto o fluxo de caixa livre deve permanecer pressionado ao longo dos próximos trimestres.
Outro fator que pesa sobre a ação é o cenário para as commodities agrícolas. Os preços de soja e algodão seguem pressionados, enquanto o risco de um evento climático associado ao El Niño aumenta a incerteza sobre a próxima safra.
Nesse ambiente, o Bank of America rebaixou a recomendação para venda e reduziu o preço-alvo para R$ 13,50. Assim, apesar do desconto patrimonial expressivo, boa parte do mercado continua aguardando um catalisador capaz de destravar valor para a companhia.