
A reforma tributária começa a entrar em vigor em 2027 com uma das maiores mudanças já feitas na cobrança de impostos no Brasil. O chamado split payment promete dificultar a sonegação ao recolher automaticamente os tributos no momento do pagamento de uma compra, antes mesmo que o dinheiro chegue ao caixa das empresas.
Embora o novo modelo seja apontado como um avanço para aumentar a eficiência da arrecadação, especialistas afirmam que a adaptação exigirá investimentos em tecnologia, mudanças operacionais e maior necessidade de capital de giro. O resultado, segundo tributaristas, pode ser um aumento de preços para consumidores em diversos setores da economia.
Fim do ‘dinheiro do governo’ muda a vida das empresas
Hoje, muitas empresas recebem o valor integral de uma venda e recolhem os impostos apenas semanas depois. Na prática, esse intervalo funciona como uma fonte temporária de capital de giro.
Com o split payment, esse dinheiro deixa de passar pelo caixa das companhias. A parcela referente aos tributos será automaticamente direcionada ao Fisco no momento da liquidação da operação, reduzindo a liquidez disponível para pagar fornecedores, salários e demais despesas.
Especialistas afirmam que empresas com margens menores poderão precisar recorrer a crédito bancário ou reforçar suas reservas de caixa, elevando seus custos financeiros durante a transição.
Consumidor pode sentir os efeitos no bolso
A expectativa de parte do mercado é que esses novos custos acabem sendo parcialmente repassados aos preços finais de produtos e serviços.
Além da necessidade de financiar um capital de giro maior, empresas terão de investir na integração de sistemas, adaptação tecnológica e treinamento para operar dentro do novo modelo tributário. Segundo especialistas, a simplificação prometida pela reforma só deverá ser percebida de forma plena ao fim da transição, prevista para 2033.
Ainda assim, há divergências sobre a intensidade desse impacto. Alguns tributaristas defendem que o aumento de preços dependerá do setor, da concorrência e da capacidade de cada empresa de absorver os custos sem repassá-los integralmente aos consumidores.
Combate à sonegação é a grande aposta da reforma
O governo aposta que o split payment reduzirá drasticamente a evasão fiscal ao conectar o pagamento eletrônico diretamente à nota fiscal e ao recolhimento dos novos tributos CBS e IBS.
A expectativa é que o mecanismo também aumente a transparência e reduza distorções concorrenciais entre empresas que pagam corretamente seus impostos e aquelas que hoje conseguem postergar ou evitar o recolhimento.
Apesar disso, especialistas alertam que ainda existem dúvidas sobre a capacidade tecnológica do sistema, a integração entre bancos, empresas e Receita Federal e o funcionamento do aproveitamento automático dos créditos tributários, fatores considerados essenciais para evitar gargalos durante a implantação.
Principais pontos:
- A reforma tributária estreia em 2027 com o sistema de split payment para recolhimento automático de impostos.
- Especialistas alertam que empresas terão aumento de custos e pressão sobre o fluxo de caixa, com risco de repasse aos preços.
- O governo aposta que o novo modelo reduzirá a sonegação e modernizará a arrecadação, mas desafios tecnológicos ainda preocupam.