Setor ameaçado?

ABEV3 sob pressão? Hábitos saudáveis mudam consumo de álcool

Estatísticas globais e brasileiras apontam retração em vinho e destilados, com impacto direto no setor de bebidas alcoólicas

Ambev

O consumo de bebidas alcoólicas registra queda em diversos segmentos ao redor do mundo, com vinho global em seu menor nível desde 1961 e uma parcela significativa de brasileiros afirmando ter reduzido o consumo no último ano. Esses movimentos alteram o pano de fundo competitivo para empresas como Ambev (ABEV3).

No Brasil, pesquisas recentes mostram que mais da metade dos consumidores diminuiu a ingestão de álcool em 2025, enquanto segmentos de bebidas sem álcool crescem forte, acelerando a necessidade de adaptação estratégica no setor.

Queda global em vinho e volume total

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo mundial de vinho caiu 3,3% em 2024, para cerca de 214,2 milhões de hectolitros, o menor total desde 1961. O declínio foi observado em grandes mercados como EUA (queda de ~5,8%) e Canadá (-6,4%), com a China caindo cerca de 19,3% no mesmo período.

Dados da consultoria IWSR também mostram que o volume total de álcool consumido globalmente caiu 1% na primeira metade de 2025, refletindo menor rotação de produtos nas principais economias, enquanto países emergentes compensam parcialmente esta tendência.

Essas quedas estruturais pressionam estoques e remodelam prioridades de portfólios para produtores internacionais.

Brasil: maioria reduz consumo e sem álcool cresce

Pesquisa do Datafolha (abril de 2025) indica que 53% dos brasileiros que bebem álcool reduziram o consumo no último ano. Mais de 49% da população adulta afirma não consumir bebidas alcoólicas, com média semanal de 4,5 doses entre os que ainda bebem.

Paralelamente, o segmento de cervejas sem álcool tem mostrado expansão significativa. Em 2024, as vendas no Brasil atingiram cerca de 480 milhões de litros, um crescimento de mais de 20% em relação a 2023, embora ainda represente cerca de 3% do volume total consumido.

Outros dados nacionais apontam que a produção de rótulos desalcoolizados cresceu mais de 500% em um ano, de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros entre 2023 e 2024.

Esses movimentos espelham mudanças culturais e preferências por estilos de vida mais saudáveis.

Ambev (ABEV3) diversifica portfólio com vinho

A Ambev (ABEV3) não ignora o movimento do mercado: em maio de 2023, a empresa lançou seu portfólio de vinhos no Brasil, com 17 rótulos de brancos, tintos e espumantes produzidos pela vinícola argentina Dante Robino, adquirida pelo grupo. Os preços sugeridos variam de R$ 49,90 a R$ 219,90 e os produtos estão disponíveis em pontos físicos e plataformas como Zé Delivery, Amazon e Magalu.

Essa aposta busca ampliar a presença da companhia em categorias além da cerveja e aproveitar possíveis nichos de consumo, inclusive entre compradores que reduzem ingestão alcoólica tradicional.

Implicações para as ações da Ambev (ABEV3)

No Brasil, a cerveja representa cerca de 91,6% do consumo de bebidas alcoólicas estimado para 2024 (11,26 bilhões de litros de um total de 12,29 bilhões). Mesmo assim, a redução per capita prevista para álcool puro — de 8,28 litros em 2014 para 6,83 litros em 2029 — sinaliza uma tendência de enfraquecimento do consumo tradicional.

Para a Ambev (ABEV3), principal cervejaria do país, essas mudanças traduzem-se em pressão por mix de produtos, com impacto potencial em volumes e margens se o consumo continuar fora de bares e eventos sociais.

Com concorrência aumentando em bebidas sem álcool e alternativas funcionais, a empresa precisa acelerar inovação e reequilibrar portfólios frente a um consumidor mais consciente.

Fernando Américo
Fernando Américo

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.