
- Anos eleitorais elevam a volatilidade principalmente no segundo semestre
- BBAS3 reage com mais intensidade ao risco político
- PETR4 acelera volatilidade na reta final, apesar da média anual menor
A volatilidade da Bolsa brasileira tende a ganhar força em anos eleitorais, sobretudo no segundo semestre. A análise é da Ágora Investimentos, que comparou o comportamento do Ibovespa em ciclos eleitorais e não eleitorais ao longo das últimas duas décadas.
Segundo o estudo, o efeito do calendário não aparece de forma linear. Pelo contrário, o mercado costuma antecipar o risco apenas conforme o debate político avança, o que concentra a instabilidade nos meses finais do ano.
Ibovespa antecipa risco político no segundo semestre
Na média histórica, os anos eleitorais registram volatilidade de 23,93%, acima dos 20,91% observados fora do calendário político. Ainda assim, no primeiro semestre, a diferença praticamente desaparece.
A dinâmica muda a partir de julho. Enquanto a volatilidade cai nos anos não eleitorais, ela acelera nos eleitorais e alcança 25,54% no segundo semestre, abrindo um diferencial relevante.
O pico ocorre no 4º trimestre, com destaque para outubro e novembro, período em que o risco político domina o fluxo de notícias e decisões de portfólio.
Banco do Brasil sente mais o efeito eleitoral
No Banco do Brasil (BBAS3), o padrão segue o Ibovespa, porém com maior intensidade. Em anos eleitorais, a volatilidade média sobe para 40,74%, contra 36,55% nos demais anos.
O primeiro semestre segue estável. Já no segundo, a volatilidade salta para 43,52%, enquanto cai para 35,24% nos anos não eleitorais.
O movimento indica mudança clara de regime. Em ciclos eleitorais, BBAS3 “sobe de patamar” no fim do ano, com pico médio em outubro, quando a incerteza política se intensifica.
Petrobras reage de forma assimétrica ao calendário
Na Petrobras (PETR4), o efeito eleitoral exige mais nuance. Na média anual, a volatilidade parece menor em anos eleitorais, mas esse dado esconde a dinâmica interna.
Nos anos não eleitorais, PETR4 começa o ano mais volátil e desacelera. Já nos eleitorais, ocorre o inverso: a volatilidade acelera no segundo semestre, com alta de 30,4%.
No recorte final do ano, a estatal também apresenta prêmio de risco. Em novembro, a volatilidade média supera 50%, reforçando o impacto do calendário político.