
- Blau (BLAU3) caiu 5,15% após o Goldman rebaixar a recomendação para venda.
- Banco vê juros elevados pressionando clientes e limitando o crescimento da companhia.
- Potencial no mercado de anticorpos monoclonais permanece, mas sem gatilhos de curto prazo.
As ações da Blau (BLAU3) fecharam em queda de 5,15%, cotadas a R$ 9,76, na última quarta-feira (15), após o Goldman Sachs rebaixar sua recomendação de compra para venda e reduzir o preço-alvo de R$ 11,50 para R$ 10,00 por ação.
Na avaliação do banco, a farmacêutica deve enfrentar uma desaceleração dos resultados ao longo de 2026, em meio a uma base de comparação mais difícil e à perspectiva de juros elevados por mais tempo no Brasil.
Goldman vê pressão sobre resultados
Segundo o relatório, o principal risco não está no balanço da companhia, mas na situação financeira de seus clientes. Como grande parte das vendas da Blau é destinada a distribuidoras farmacêuticas, um ambiente de juros elevados tende a pressionar esse segmento.
O Goldman projeta a taxa Selic em torno de 14% em 2026 e 12% em 2027, cenário que pode limitar o crescimento da receita e reduzir as margens operacionais da companhia.
Além disso, o banco reduziu em cerca de 5% suas estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027, passando a trabalhar com projeções aproximadamente 8% abaixo do consenso de mercado.
Potencial existe, mas gatilhos seguem distantes
Apesar do rebaixamento, o Goldman mantém avaliação positiva para a atuação da Blau no mercado de anticorpos monoclonais, considerado um dos principais vetores de crescimento da companhia.
No entanto, os analistas avaliam que os catalisadores para essa tese ainda devem demorar para se materializar, reduzindo o potencial de valorização das ações no curto prazo.
Para o segundo trimestre de 2026, o banco estima Ebitda de R$ 123 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior, com crescimento de receita de 5,5% e retração de 1,3 ponto percentual na margem operacional.