Abaixo do histórico

Brasil perfura menos poços e pode enfrentar risco nas reservas de petróleo, alertam especialistas

Setor cobra mais leilões de áreas e agilidade no licenciamento ambiental para garantir novas descobertas e evitar queda da produção no futuro.

petroleo
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  • Especialistas alertam que o baixo número de poços ameaça a reposição das reservas brasileiras de petróleo.
  • Setor defende mais leilões de áreas e maior agilidade no licenciamento ambiental.
  • ANP pretende ofertar 523 blocos exploratórios em 2026 para estimular novos investimentos.

O Brasil enfrenta um desafio crescente para manter suas reservas de petróleo. Apesar do avanço da produção nos últimos anos, especialistas alertam que o baixo número de poços exploratórios perfurados pode comprometer a reposição das reservas e afetar o potencial de crescimento da indústria na próxima década.

Representantes do setor defendem que o país acelere os leilões de novas áreas e reduza os entraves no licenciamento ambiental, considerados hoje os principais obstáculos para novos investimentos em exploração.

Exploração segue muito abaixo do histórico

Segundo dados da ANP, o Brasil perfurou apenas 19 poços exploratórios em 2025, número superior aos 10 registrados em 2024, mas ainda muito distante dos níveis observados há pouco mais de uma década.

Em 2011, por exemplo, foram perfurados 150 poços. Desde então, a atividade caiu de forma contínua e, a partir de 2016, nenhum ano ultrapassou a marca de 20 perfurações.

Para representantes da indústria, essa redução compromete a descoberta de novas reservas justamente em um momento em que os campos mais maduros do pré-sal começam a apresentar declínio natural da produção.

Setor cobra mais leilões e menos burocracia

Executivos da Shell Brasil, da Abespetro e do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) afirmam que o principal gargalo está na demora para obtenção das licenças ambientais.

Como exemplo, o setor cita o Poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, que levou cerca de 12 anos entre o início do processo de licenciamento e o começo da perfuração.

Na avaliação dos especialistas, acelerar os licenciamentos e ampliar a oferta de blocos exploratórios são medidas essenciais para manter a competitividade do Brasil frente a países como Guiana e Suriname, que avançaram rapidamente na exploração da Margem Equatorial.

Nesse cenário, a ANP pretende ampliar a oferta de áreas em 2026, com 500 blocos na oferta permanente de concessão e outros 23 blocos no regime de partilha, buscando atrair novos investimentos para o setor.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.