
- Corte da gasolina tem impacto neutro nas ações da Petrobras
- Inflação deve cair até 0,08 ponto no IPCA
- Spreads de refino seguem em níveis saudáveis
O corte de 5,2% no preço da gasolina A anunciado pela Petrobras (PETR3; PETR4) deve ter efeito limitado sobre as ações, segundo analistas, mas tende a gerar alívio relevante na inflação nos próximos meses.
A redução entra em vigor nesta terça-feira (27) e ocorre após o combustível operar acima da paridade internacional, o que abriu espaço para ajuste sem pressão financeira imediata.
Impacto nas ações deve ser neutro
Analistas do Itaú BBA avaliam que o mercado já esperava o ajuste. Por isso, o impacto sobre PETR4 tende a ser neutro no curto prazo.
Antes do anúncio, os preços domésticos da gasolina estavam cerca de 10% acima do PPI. Após o corte, essa diferença deve cair para aproximadamente 5%, segundo o banco.
O Goldman Sachs segue a mesma linha e aponta que os preços continuam alinhados à média histórica, preservando a previsibilidade da política comercial.
Rentabilidade segue em nível confortável
Mesmo após o corte, os spreads de refino da gasolina permanecem próximos de US$ 12 por barril, nível considerado saudável.
No diesel, os spreads seguem ainda mais elevados, em torno de US$ 32 por barril, o que sustenta a rentabilidade do parque de refino.
Assim, analistas veem o movimento como ajuste técnico, sem impacto estrutural sobre geração de caixa ou dividendos.
Inflação deve recuar nos próximos índices
Na inflação, o efeito tende a ser mais visível. A Warren Investimentos projeta queda de R$ 0,09 na bomba, equivalente a recuo de 1,54% no preço final.
Com isso, o impacto estimado no IPCA é negativo em 0,08 ponto percentual, reduzindo a projeção de inflação de 4,50% para 4,40% em 2026.
O corte também deve pressionar para baixo o IPCA-15 de fevereiro e março, ampliando o efeito desinflacionário no curto prazo.