
- Especialistas alertam que, apesar da vontade global de hedge contra o dólar, não há substitutos de reserva de valor com liquidez comparável.
- Fatores políticos e macroeconômicos pressionam a confiança na moeda americana, mas ativos como ações não bastam para revertê-la.
- Sem alternativas viáveis, a redução de dependência do dólar pode elevar custos e restringir liquidez nos mercados internacionais.
O dólar segue no centro do sistema financeiro global, mesmo diante de uma crescente tentativa de reduzir a dependência da moeda americana. Bancos centrais, governos e empresas procuram hedge cambial, mas não encontram substitutos viáveis em escala global.
A avaliação é do economista Barry Eichengreen, referência em história monetária, que aponta um paradoxo: o mundo quer menos dólar, mas não tem para onde correr sem comprometer liquidez e eficiência financeira.
Pressões políticas enfraquecem a confiança
Segundo Eichengreen, a confiança no dólar vem sendo pressionada por fatores políticos e institucionais nos Estados Unidos. Questionamentos sobre a independência do Federal Reserve e incertezas na política externa elevam o desconforto de investidores globais.
Esses ruídos não anulam a força da economia americana, mas afetam a percepção de segurança que sempre sustentou o dólar como principal moeda de reserva.
Mesmo assim, a perda de confiança ocorre sem que outra moeda consiga preencher o vazio deixado pela divisa americana.
Falta de alternativas reais no sistema global
Para Eichengreen, nenhuma outra moeda oferece hoje liquidez, profundidade e previsibilidade comparáveis às do dólar. O euro enfrenta limitações institucionais, enquanto moedas asiáticas ainda carecem de mercados financeiros suficientemente abertos.
Propostas de moedas alternativas ou arranjos regionais seguem restritas a discursos políticos, sem capacidade prática de substituir o dólar no comércio e nas reservas globais.
Esse cenário mantém o sistema financeiro internacional dependente de uma moeda que muitos gostariam de evitar.
Impactos para mercados e comércio internacional
A tentativa de reduzir exposição ao dólar, sem alternativas claras, tende a encarecer operações de hedge e aumentar o custo das transações internacionais.
Países mais dependentes de financiamento externo podem enfrentar maior volatilidade cambial e restrições de liquidez em momentos de estresse global.
Para Eichengreen, a história mostra que moedas dominantes não são eternas, mas a transição, quando ocorre sem substitutos claros, costuma ser lenta e turbulenta.