
- Cenário externo negativo e nova queda das techs reforçam o clima global de aversão ao risco.
- Ibovespa cai 0,30%, com pressão forte do setor bancário após a liquidação do Master.
- FGC estima R$ 41 bilhões em garantias e leva tensão adicional ao sistema financeiro.
O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira (18) em queda de 0,30%, aos 156.522 pontos, após tentar se recuperar ao longo do dia. O movimento confirmou a segunda baixa seguida e refletiu a combinação de tensão doméstica e aversão ao risco global.
Apesar da fragilidade do índice, o dólar comercial caiu 0,26%, para R$ 5,318, devolvendo parte da alta da véspera. Já os juros futuros terminaram mistos, em um mercado que permaneceu sensível ao noticiário financeiro.
Liquidação do Banco Master domina preocupações locais
A liquidação extrajudicial do Banco Master dominou o ambiente doméstico e reforçou a cautela dos investidores. O episódio ganhou peso após a prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, pela Polícia Federal. O Banco Central classificou a intervenção como a maior já aplicada no país e citou “grave crise de liquidez” e “comprometimento econômico-financeiro” do conglomerado.
As investigações identificaram indícios de que o Master teria vendido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, além de entregar documentos falsos ao BC. A gravidade do caso derrubou a confiança no setor bancário e ampliou a pressão sobre os grandes bancos listados.
O FGC estimou em R$ 41 bilhões o volume de garantias a serem pagas a 1,6 milhão de credores do Master. Embora os valores estejam provisionados, o impacto sobre o sistema financeiro será significativo. Segundo Bruno Perri, da Forum Investimentos, o custo deve recair com mais intensidade sobre os bancos de maior porte, alimentando a queda no Ibovespa.
Mercado externo mantém pressão e amplia aversão ao risco
Enquanto isso, o cenário internacional continuou desfavorável. Investidores globais seguiram questionando os valuations das empresas de tecnologia, o que levou Wall Street a registrar nova rodada de vendas. A expectativa pelo balanço da Nvidia, que sai nesta quarta-feira, adicionou volatilidade.
Os mercados europeus também fecharam no negativo, ampliando o clima de cautela. Além disso, indicadores dos Estados Unidos voltaram a movimentar o noticiário. As encomendas à indústria subiram 1,4% em agosto, enquanto os pedidos de seguro-desemprego avançaram. Esses dados reforçam a incerteza sobre o rumo da política monetária americana.
Portanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, e gerou novo ruído. As declarações aumentaram o estresse de curto prazo e influenciaram a postura defensiva dos investidores.
Bancos afundam e puxam o Ibovespa; PETR4 avança com petróleo firme
No pregão, os bancos exerceram forte peso. BBAS3 caiu 2,76%, BBDC4 recuou 1,19%, ITUB4 perdeu 0,50% e SANB11 desceu 0,21%. O movimento refletiu a leitura de risco após o caso Master e o impacto estimado sobre o FGC.
Ademais, entre as blue chips, VALE3 caiu 0,31%, enquanto PETR4 subiu 0,33% com o avanço do preço do petróleo no exterior. No varejo, MGLU3 liderou os ganhos com alta de 3,72%, impulsionada pelo maior apetite por risco no setor.
Por fim, no noticiário corporativo, AZZA3 subiu 4,41% após propor aumento do limite de capital, reacendendo especulações sobre fusões e aquisições. Em sentido contrário, HAPV3 despencou 5,56%, após novos cortes no preço-alvo por parte de analistas, ainda que as recomendações de compra tenham sido mantidas.