Juros vão cair mesmo com guerra? Kinea desafia mercado e faz aposta ousada no Brasil

Gestora mantém posição aplicada em juros e aposta no real mesmo com tensão global.

Juros vão cair mesmo com guerra? Kinea desafia mercado e faz aposta ousada no Brasil
  • Kinea mantém aposta em queda da Selic mesmo com guerra global
  • Cenário depende do petróleo e da duração do conflito
  • Inteligência artificial segue como principal tese de crescimento

A Kinea manteve sua estratégia no Brasil mesmo após a escalada da guerra no Oriente Médio. A casa segue apostando em juros mais baixos do que o mercado projeta, além de continuar comprando real.

Ao mesmo tempo, a gestora entende que o cenário externo ainda não invalida a tese doméstica. Isso porque a trajetória da inflação pode melhorar caso o petróleo perca força.

Juros menores seguem no radar

Mesmo diante da volatilidade global, a Kinea acredita que o Banco Central ainda poderá cortar juros. Por um lado, o diferencial entre Brasil e Estados Unidos continua elevado.

Além disso, se o petróleo recuar, a inflação tende a desacelerar. Nesse sentido, a gestora avalia que o ciclo de queda da Selic pode continuar ao longo de 2026.

Por outro lado, existe risco caso a guerra se prolongue. Ainda assim, a casa vê o governo mais cauteloso, o que reduz a chance de deterioração fiscal relevante.

Guerra define o rumo dos mercados

A Kinea trabalha com três cenários para o conflito global. No cenário base, com 40% de probabilidade, haveria um acordo rápido, levando o petróleo para perto de US$ 70.

Por outro lado, em um cenário também provável, o conflito pode se estender. Nesse caso, o petróleo ficaria em torno de US$ 120, o que aumentaria a volatilidade.

Por fim, no cenário mais extremo, o barril poderia chegar entre US$ 150 e US$ 200. Nesse ambiente, os juros globais subiriam e pressionariam os ativos.

Inteligência artificial segue como aposta

Mesmo com o cenário macro desafiador, a Kinea mantém posição em tecnologia. A gestora vê crescimento consistente da inteligência artificial nas empresas.

Além disso, grandes companhias já começam a capturar ganhos reais de eficiência. Isso tende a sustentar a demanda por semicondutores e infraestrutura digital.

Nesse contexto, empresas globais devem liderar esse movimento. Portanto, a tese estrutural segue positiva no longo prazo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.