
- Ouro segue como proteção relevante, mas deve apresentar maior volatilidade em 2026
- Bitcoin perde status defensivo e passa a se comportar como ativo de risco
- Disciplina, diversificação e controle emocional tornam-se centrais para o investidor
O início de 2026 trouxe um ambiente global mais instável, marcado por tensões geopolíticas, aumento da aversão ao risco e maior volatilidade nos mercados financeiros. Nesse cenário, investidores precisam redobrar a atenção na montagem de portfólios mais resilientes.
Segundo Artur Wichmann, CIO da XP Investimentos, ativos alternativos seguem relevantes, mas passaram a exigir uma leitura mais cuidadosa. O ouro mantém papel defensivo, enquanto o Bitcoin perde previsibilidade e se aproxima do comportamento de ativos de risco.
Ouro segue como proteção, mas com mais volatilidade
De acordo com Wichmann, o ouro continua sendo um instrumento importante para reduzir o risco do portfólio, especialmente em momentos de instabilidade global. No entanto, o executivo alerta que o metal também deve apresentar oscilações mais intensas ao longo do ano.
Além disso, o CIO destaca que o ambiente atual exige disciplina e visão de longo prazo, evitando decisões baseadas apenas em movimentos recentes de mercado. A volatilidade tende a permanecer elevada, o que reforça a importância da diversificação.
Nesse contexto, a função do ouro não é gerar retornos extraordinários, mas amortecer choques em cenários adversos, ajudando a preservar o patrimônio do investidor.
Bitcoin perde correlação com ouro e aumenta risco
Já o Bitcoin passou por uma mudança relevante de comportamento. Segundo Wichmann, o ativo aumentou sua correlação com ações e reduziu o vínculo histórico com o ouro, tornando-se mais sensível ao humor do mercado.
Essa mudança faz com que o criptoativo seja tratado hoje mais como um ativo de risco, e não como reserva de valor. Por isso, o CIO classifica o Bitcoin como uma incógnita para 2026.
Para o executivo, o momento não é de apostas extremas. O foco deve estar em estratégias balanceadas, capazes de atravessar diferentes cenários sem exposição excessiva a um único resultado.
Disciplina e diversificação ganham protagonismo
Wichmann também alerta para erros recorrentes cometidos por investidores em períodos de volatilidade. Decisões emocionais, ajustes constantes de posição e reação a manchetes costumam comprometer o desempenho no longo prazo.
O CIO reforça que o investidor deve construir a carteira como se estivesse partindo de uma “folha em branco”, levando em conta os preços atuais e o novo ambiente político e econômico global.
No Brasil, com a Selic em 15% e títulos atrelados ao IPCA pagando IPCA + 7,5%, o desafio não está no retorno esperado, mas em administrar a ansiedade e a volatilidade ao longo do ciclo.