Alerta hídrico

Sabesp (SBSP3) entra em alerta hídrico e o mercado já se divide

Chuvas fracas e reservatórios pressionados reacendem o debate entre bancos sobre risco, valuation e perspectiva das ações.

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  • Safra adota cautela com risco hídrico e limita upside da SBSP3
  • BBI vê desabastecimento improvável e mantém visão construtiva
  • Valuation descontado sustenta potencial até 2026

As ações da Sabesp (SBSP3) voltaram ao radar após chuvas abaixo da média reduzirem os níveis dos reservatórios. Mesmo assim, o papel acumula alta superior a 50% em 12 meses, o que elevou o grau de exigência do mercado.

Nesse cenário, o Banco Safra adotou tom mais cauteloso. Já o Bradesco BBI minimizou o risco hídrico e manteve visão positiva para a companhia.

Safra reduz recomendação

O Safra rebaixou a SBSP3 de compra para neutra. Ainda assim, elevou o preço-alvo de R$ 144,10 para R$ 146, com TIR estimada de 10,5%.

Segundo o banco, a ação negocia a 1,2x VF/RAB e 6,9x VF/EBITDA em 2026, patamar considerado justo. No entanto, a hidrologia limita o upside no curto prazo.

O banco destacou o Sistema Cantareira, que opera com 20,8% da capacidade. A afluência ficou próxima de 50% da média histórica em 2025, segundo a ANA.

BBI vê risco controlado

O Bradesco BBI avaliou que o risco de racionamento é baixo, apesar dos níveis abaixo da média. Os reservatórios totais chegaram a 43% no fim de março.

Segundo o banco, a Sabesp deve manter apenas a Gestão da Demanda Noturna, com redução de pressão durante a noite. A medida já cortou cerca de 6% da retirada de água, sem impacto relevante nas vendas.

Além disso, o BBI projeta a adição de 5 m³/s de nova oferta em 2027. O banco segue otimista com a universalização do saneamento até 2029.

Valuation sustenta otimismo

O BBI estima que a SBSP3 embute TIR real de 10,2%, com spread de 2,8 p.p. sobre a NTN-B. Apesar de apertado, o banco vê espaço para compressão.

Nesse cenário, o preço-alvo pode chegar a R$ 200 até o fim de 2026, o que indica potencial de alta de 42%.

Por fim, a ação negocia a 13x P/L em 2026 e 9,4x em 2027, múltiplos abaixo das utilities de água dos EUA.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.